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BRASIL, Nordeste, RECIFE, BOA VIAGEM, Mulher, de 26 a 35 anos, Italian, English, Música, Cinema e vídeo, Livros
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A força...

“Quais os sintomas associados aos sentimentos de um relacionamento interrompido com a força selvagem?

Usando-se exclusivamente a linguagem das mulheres, trata-se de sensações de extraordinária aridez, fadiga, fragilidade, depressão, confusão, de estar amordaçada, calada à força, desestimulada. Sentir-se assustada, deficiente ou fraca, sem inspiração, sem ânimo, sem expressão, sem significado, envergonhada, com uma fúria crônica, instável, amarrada, sem criatividade, reprimida, transtornada.

Sentir-se impotente, insegura, hesitante, bloqueada, incapaz de realizações, entregando a própria criatividade para os outros, escolhendo parceiros, empregos ou amizades que lhe esgotam energia, sofrendo por viver em desacordo com os próprios ciclos, superprotetora de si mesma, inerte, inconstante, vacilante, incapaz de regular a própria marcha ou de fixar limites.

Não conseguir insistir no seu próprio andamento, preocupar-se em demasia com a opinião alheia, afastar-se do seu Deus ou dos seus deuses, isolar-se da sua própria força de revitalização, deixar-se envolver exageradamente na domesticidade, no intelectualismo, no trabalho ou na inércia, porque é esse o lugar mais seguro para quem perdeu os próprios instintos.

Recear aventurar-se ou revelar-se, temer procurar um mentor, mãe, pai, temer exibir a própria obra antes que esteja perfeita, temer iniciar uma viagem, recear gostar de alguém ou dos outros, ter medo de não conseguir parar, de se esgotar, de se exaurir, curvar-se diante da autoridade, perder a energia diante de projetos criativos, enconlher-se, humilhar-se, ter angústia, entorpecimento, ansiedade.

Ter medo de revidar quando não resta outra coisa a fazer, medo de experimentar o novo, medo de enfrentar, de exprimir sua opinião, de criticar qualquer coisa, sentir náuseas, aflição, acidez, de sentir-se partida no meio, estrangulada, conciliadora e gentil com extrema facilidade, de ter sentimentos de vingança.

Ter medo de parar, ter medo de agir, contar até três repetidamente sem conseguir começar, ter complexo de superioridade, ambivalência e, no entanto, não fosse por isso, ser plenamente capaz, em perfeito funcionamento.” 

 Introdução do livro Mulheres Que Correm Com os Lobos.

Não é o livro que tô lendo agora. Resolvi ler primeiro "Amor Líquido", de Zygmunt Bauman. No fim das contas, um está atrelado ao outro, nesse meu momento de vida - quero deixar claro! Não estou fazendo aqui conexões literárias, mas subjetivas.

Em um momento em que o trabalho é a coisa mais importante da minha vida, ao contrário do que sempre ocorreu, é um caso a se perguntar a razão. Não que isso seja ruim. Tem lá suas vantagens ser workaholic e, sinceramente, eu gosto do meu trabalho. Mas o nível de estresse é surreal, e na tentativa de podar os meus instintos (sempre fui muito sangüínea) para viver bem no mundo corporativo, tenho perdido a conexão com o meu eu. É salutar, eu diria até que é imprescindível se transmutar e se podar (quando se tem a natureza irascível) para viver no mundo corporativo, mas tem que se ter cuidado para não ser o oposto e ser "boazinha" demais, o que confunde as coisas. As pessoas confundem! Não é fácil liderar, mas eu sei que tenho espírito de liderança. Só preciso adequar a minha natureza ao que me pede o dia-a-dia. E por que tô colocando isso em relação ao livro de Clarissa Pinkola? Porque acho que na tentativa de me adequar ao mundo, eu me perdi da minha natureza essencial. Tá certo que ser desaforada como sempre fui não é lá muito inteligente. Mas agir da forma que a sociedade pede não é dito também que seja a coisa certa a se fazer.

Comecei, por mim mesma, a tomar antidepressivo. Não porque esteja em depressão, mas pra sanar essa TPM fdp que a cada mês me massacra. Passei dois meses no paraíso, mas esse mês, com MAIS de uma semana de antecedência, já sinto os prenúncios. Eu viro um Gremlim! Incrível! Ser mulher é muito louco...

O livro de Bauman...é para poder entender porque aderi ao movimento global de relativizar e superficializar tudo, inclusive os relacionamentos em geral: amizades, famliiares e, claro, afetivos também. Em uma fase de muita balada, muita festa...chego a me perguntar: pra que estou agindo no automático? Ao mesmo tempo, pra que ficar em casa pensando na morte da bezerra...hehehehehe?

Tenho conhecido muita gente. Feito algumas amizades, conhecido vários homens, cada um essencialmente diferente. Mas que no fim das contas me remete à mesma questão: é tudo muito superficial. Também não quero indagar muito, como sempre fiz. Mas viver no automático...nunca foi do meu feitio. A parte boa é que FINALMENTE posso dizer que deixei a Itália, e tudo o que ela representa, para trás. É muito boa a sensação de liberdade! Acho que só por isso vale a pena comemorar, e comemorar, e beber todas, se eu bebesse...hehehehe! Após ter descoberto que meu ex-noivo hoje tem uma filha, e de ter chorado a noite inteira, e ter ido trabalhar com os olhos inchados e mentindo na clínica que era uma crise alérgica (kkkkk!), eu finalmente, sei que ele é um fdp e posso esquecer tudo. É como se o que vivi não fui. Foi um parêntese de mim!

Mas esse fds tenho livre. Pena que não poderei viajar. Primeiro porque a minha irmã tá doente, e o marido dela está de  plantão no domindo (dia fatídico: todo domingo estamos sem empregada, e é um saco cuidar de dois meninos e dar uma de doméstica). Segundo, porque adoraria ir a Porto de Galinhas, mas por aqui não pára mais de chover (pelaamordedeus!). Terceiro, vou fazer uma farrinha básica, com Rachel, minha colega de residência, que está vindo de Caruaru só com esse fim (kkkkkk!). Vamos ver como serão os próximos meses...

Beijinhos...  

 

 



Escrito por Fê Colares às 12h01
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"Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida..."

Esses dias meio que fiquei down. Há tanto tempo isso não me sucedia que...buuu...fiquei surpresa. Mas como não tô na  vibe de me lamentar... mas fiquei meio triste mesmo, me lembrando de algumas pessoas, que poderia ter sido, etc., etc... e daí lembrei do que vivi, dos meses mágicos que passei na Europa assim que terminei a faculdade. E vi que, sim, o sinônimo de paraíso para mim, na terra, ainda é Malcesine, na beira do Lago di Garda. Mas não, não todos os dias, não em qualquer conjuntura...é Malcesine naquele fim de tarde de domingo, de um inverno, à beira mesmo do lago, onde escorreguei, caí, rindo, na água friíssima...e só escutava o eco do meu riso e o cantar dos patos (se diz cantar? pato faz o quê?).

"...Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas..."
Então, é isso. Sinto falta é de mim. Da capacidade de acreditar, da inocência mesmo, em acreditar...que tudo poderia ser, tudo poderia dar, que seria amada para sempre, que seria feliz para sempre... Daí, talvez essa seja a minha cura. Talvez eu me  cure, agora, porque percebo que sinto falta não de alguém, mas de uma situação. Se vivo uma situação parecida - nunca poderá ser igual, eu poderei me curar. Na verdade, espero que seja antes...
"...Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso..."
Porque simplesmente não se sabe como é a vida, como será. Como o acaso vai nos presentear. É como diz minha Poli: "As coisas não são baseadas na justiça. Não é. Até porque a justiça é subjetiva (segundo ela, não concordo). Então, é questão de sorte (nisso concordo - acho que a sorte tem o seu papel)".
Assim, não dá para se fazer nada pensando no futuro. Não tô dizendo que não se deve planejar. Ou que devo ser sempre fútil. A futilidade tem lá a sua utilidade, mas não é isso. Apenas não dá para voltar atrás. Não mesmo.
Hoje mesmo vi o único menino que me interessou (interessou? eu disse "interessou"? Isso é um eufemismo! Eu enlouqueci por ele!) aqui em Recife. É fato notório que não gosto de recifense, brasileiro em geral. E mesmo na minha fase fútil (olha as penas voando, menina!), ele se sobressaiu. Mas...se mostrou o típico recifense (vocês já sabem, né? Do buchão, que se acha melhor que você, que anda contigo de mãos dadas achando que está te fazendo um favor...). Então, o Advogado (não é legal citar nomes) me perdeu por isso. Mas hoje, por acaso, o encontro no estacionamento do Shopping Recife. Como assim? Deu vontade de dizer:"Filho, você na zona sul? Vamos fazer assim: a partir de hoje você fica na zona norte, onde mora (ele mora no Espinheiro) e eu não vou nos locais (bares, baladas) perto de lá, e você também não vem aqui, na zona sul. Vamos fazer igual às facções do crime organizado..."kkkkk... Brincadeiras à parte, é demais, né? Recife é uma vila!
"...Que el amor es semple, y a las cosas simples las devora el tiempo."
É isso aí... O amor é simples, e as  coisas simples, as devoram o tempo...
O Bruno me ligou hoje. Quase parafraseando o Chico, "...è desconcertante rever (falar) um grande amor". Apesar de ter feito o que fez, não tive raiva quando falei com ele. Estranho! Toda aquela raiva havia passado. Acho que, como diz minha amiga Holanda, tive tanta raiva que ela se exauriu... Que bom para mim!
Então, vou indo...em uma nova fase...Esperamos!
Beijinhos...


Escrito por Fê Colares às 21h33
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"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante..."

Mais um dezembro chegou e é incrível como sempre fico melancólica nesse período. Para ser sincera, não gosto de natal, ou revéillon, ou algo do tipo. Pra ser sincera, lembro de poucos anos em que estava feliz nessa época. Mesmo quando está tudo bem, e quase sempre esteve tudo bem, eu sempre senti essa tristeza leve. Nesse ano não tenho tempo de estar triste. Trabalho tanto que não tenho tempo de estar triste. Mas é tão louco esse meu sentimento, né? Preciso de terapia pra entender. Nem sei porque isso...não lembro de nehum trauma...que louco!

Mas quero falar de como estou relativizando as coisas. Nesse ano, umas das minhas melhores amigas morreu. Outra, está bem, mas foi a uma UTI na semana passada. Perdi contato com a paixão que deixei na Itália. Me decepcionei com algumas pessoas. Trabalhei muito. Muito mesmo. Conheci um homem mais velho, um garoto mais novo (bem mais novo - 23 anos), um outro no meio-termo - italiano de Milano, encntrado há 1 km de minha casa... Tenho visto olhares masculinos para mim... mas, de quê me adianta tudo isso?

Tava olhando umas fotos minhas, e me vi com o Matteo. Cazzo, até o Matteo...até isso pensei em como teria sido se eu tivesse aceitado ficar lá, com ele. Claro que não me arrependo, mas não sei...não sei como seria. Eu nem era apaixonada por ele. Gostava da companhia, mas não o amava. E depois, também esses dias, tava vendo um trailler de um filme...de dois, pra ser mais específica, e lembrei dele, o idílio, o Paolo. Mas ele tá tão distante. Não só concretamente. Mas em pensamento mesmo. Quando lembro, parece que foi um sonho, que não aconteceu, eu sonhei alguma noite. Só espero que esteja bem. A última vez que trocamos sms, ele disse que tava contente porque eu tava feliz. E que ele ainda não estava. O que eu poderia responder? Não respondi. Não poderia. Não teria o que dizer. Assim, as palavras se perderam...

O problema é que virei cínica. O problema é que me tornei aquilo que criticava. Agora, o que quero é trabalhar. Afetivamente, quero um relacionamento fast-food, e basta. É mais fácil. E mais seguro. Pode até ser menos belo, ou até ser desprovido de beleza. O importante, contudo, é servir ao que quero. Horrível de dizer, mas é o meu momento. Não quero mais ser a garotinha, a mulherzinha. Agora sou mulher. Ponto.



Escrito por Fê Colares às 00h55
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Blá blá blá

Emagreci. Fiquei gostosa mesmo. E acho que em quatro dias estou engordando, porque tô comendo como uma porca, e, o pior de tudo, nem é fome. Tô trabalhando como louca. Pecado que  o salário não corresponde ao nível de responsabilidade e de estresse. Mas tô aprendendo gestão. Ainda sou muito boazinha. Talvez até seja uma boa líder. Talvez precise melhorar. Talvez seja boa líder, mas seja uma chefe boazinha demais, e as pessoas confundem. Conheci, quase um ano depois do Paolo (e de adjacências) um cara, mas ele é um otário, que do alto dos seus quarenta e três anos fala e age como um adolescente. Ele tem dois filhos grandes. E mora no Rio. E se acha. E é muita quebra de paradigmas de uma só vez. E não quero isso. Ele tá beeem longe do meu molde ("nada de separado, com filhos, após os 40 e...carioca...então..."). E as minhas amigas estão casadas, e as que não estão se sentem casadas só porque estão namorando, e daí não faço parte da irmandade, e aí elas nem me vêem mais. E daí sou obrigada a fazer as coisas sozinhas, não só por prazer, como fiz a maioria das vezes, mas porque não tenho escolha. E não posso mais ir ao cinema, porque tô sempre de sobreaviso, e não posso atender o telefone no cinema. E não tenho paciência de participar de atividades com sobrinhos, porque essa não é a minha vida, não é o meu momento, o meu instinto maternal está embotado, e as pessoas não entendem, e acham que sou má. Na verdade, parece meio monstruoso, uma espécie de pecado que te levará ao fogo do inferno, e eu simplesmente não sinto. Não me sinto no momento. E me sinto julgada porque não tô na igreja. Me sinto julgada porque também sou cristã. Mas não me sinto no limbo - me senti tanto, durante tanto tempo, mas não me sinto mais. E devo pagar tanta conta. Mas tá ainda tão longe de poder morar só, de me sustentar mesmo, de ter a minha individualidade, mesmo se já tenho 31 anos. E espero o HC me chamar, mas com uma ponta de descrença, a esse ponto. E hoje os títulos me enojam. Hoje quero fazer um novo carimbo pra tirar o "doutora" antes do meu nome, porque me acho uma farsa. Não porque não seja boa - ainda me acho boa, embora com tanto a melhorar, mas porque é tudo uma farsa. E mal tenho estudado, porque trabalho muito, e o tempo em casa quero dormir. E vai ter Cramberries e Black Eyed Peas aqui em Recife e não irei. E não entendo como as pessoas podem superar as coisas tão facilmente. E me acho às vezes frágil. Mas na grande maioria das vezes me acho tão forte, tão forte mesmo... E odeio perder livros e cds, mas emprestei livros e cds e o povo não me devolve, mesmo se já pedi, e eu não aprendo nunca, e continuo emprestando mesmo assim, mas como os livros/cds são muito importanntes, compro outros iguais, mas perco a amizade porque é possível, ou melhor, é provável que eu ame mais meus livros e cds que muito amigos, e odeio quem os toma de mim, porque, não me devolvendo, me dá sensação de ser chamada de otária. E não quero morar em Mossoró, porque dentro do Brasil só me vejo morando em Recife ou, talvez, em São Paulo, mas em uma possibilidade pequena porque o ritmo de trabalho lá é de louco. Mas talvez eu precise morar em Mossoró, porque fiz um concurso e passei, e concurso é concurso. E ainda escuto jazz, sozinha, e acho que nunca vou encontrar alguém, porque teria que ser alguém que goste de jazz - não abro mão de um bom jantar escutando jazz (e quem, nesse país, que tem menos de 40, gosta de jazz? Em Pernambuco, então...). E há quem ache que Enya é boa música. E sim, posso ser, como diz minha amiga Poli, avessa a todas as minorias, mas a vida é minha e ajo como quero - só não posso afrontar ninguém, mas pensar o que quero, penso. E odeio quem tira foto no shopping - acho coisa de gentinha.  E eu não me casaria com alguém que a mãe tira foto no shopping, mas minhas amigas casam, vão dançar forró, sustentam o marido e se dizem felizes. Será possível realmente ou elas fazem tipo? E eu queria ser mais simplória. E me sinto tão outra - sou mesmo uma mulher de fases. Consigo olhar para outras partes da minha vida com um distanciamento, e não sofro. É estranho. É bom, porque não sofro, mas é estranho. E, sinceramente, não queria voltar a fase nenhuma, nenhuma mesmo, da minha vida. E talvez isso seja liberdade. É, não é ser inconseqüente, viver o Carpe Diem. Acho que liberdade é isso. É ser o que se é hoje. Mas quero que o meu ex pague, de alguma forma, pelo que me fez. Ele precisa pagar. Eu preciso acreditar que existe justiça na terra. E tô triste porque a última empregada roubou o meu gloss da MAC, que nem vende em Recife, e me custou dezenove euros, lá na Rinascente. E roubou minhas lingeries que comprei com um preço bom e que aqui no Brasil nem se pago os olhos da cara eu acho tão lindas. E o vestido jeans que me afinava a cintura. E não posso fazer nada, porque não vivo na minha casa - se eu vivesse, não precisaria de empregada e não teria passado por isso, mas não vivo. E pouco me importa quem vai ser o presidente do Brasil. Na verdade, poucas coisas me importam, a não ser o trabalho e o dinheiro que advém dele. E quero ardentemente fazer a minha tatuagem. Mesmo. E preciso voltar a comer como uma pessoa normal de dieta, amanhã. Pra continuar gostosa. E que coisa mais conta na vida a não ser o ideal que cada um tem de felicidade? Para um rato, é um pedaço de queijo (usando os clichês). Para mim, é variável. Como tudo. Até na ciência, ou melhor, ainda mais na ciência, a mudança é fato. E não sei como as pessoas se iludem com a eternidade das coisas. Que loucura!



Escrito por Fê Colares às 02h24
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"E o fim? É belo, incerto...depende de como você vê!"

Eita eita, pessoas! Realmente o ditado dos meus últimos dias tem sido aquele: "...o mundo dá voooooltas", e como canta Lenine, "...para os dois.". Nunca pensei que o senso-comum me atraísse tanto, mas ultimamente tenho percebido que há um porquê do senso-comum ser comum: de repente realmente há senso nisso (desculpem o trocadilho!). Mas, olhem...tanta coisa aconteceu. Iniciei um trab que, sinceramente, nem como recém-formada e queria. Lembro de quando terminei a universidade, e tanto eu quanto a minha família decidimos que o melhor seria não pegar "qualquer coisa". Uffa! Daí, hoje, depois de meia década, voilà! Estou eu passando por isso. Mas, já pedi demissão - também nisso, "o mundo dá voooooltas!". Tá um estresse porque querem me fazer pagar aviso-prévio...que merda! Mas vou sair de lá, e vou finalmente atuar como nefro. O ruim é que até lá vou estar louquinha, sem tempo pra nada...aff! Tava de´plantão ontem à noite, amanhã o dia inteiro, segunda à noite, e no meio tempo tem a clínica... Mas tô contente porque ao menos vou poder ver do que valeu a minha residência, né?

Eu soube de algumas coisas da Itália que me deiaram encaralhada. Foi mal aí o palavrão, mas é isso mesmo. Percebi que tantas vezes fui ludibriada, usurpada até, talvez no que é pior: na ingenuidade, no acreditar nas pessoas. Entretanto, como eu vinha dizendo: "...o mundo...". Sei que vocês já não agüentam mais ouvir isto, mas é sério. Bastou uma semana, e a estória rodou, a moeda virou. Inesperadamente recebi uma ligação de alguém que não esperava, um convite pra jantar, assim meio de improviso, que aceitei, e foi um tapa com luva de pelica. Não entrarei em detalhes para resguardar a situação, mas podem saber que valeu a pena!

Nessa mesma noite foi tão marcante isto, que sonhei com o Paolo. Foi tão engraçado: parecia que eu realmente estava ao lado dele. No sonho, ele tava doente (isso reflete o meu universo ultimamente - só vivo de hosp em hosp, trabalhnado, ou em casa dormindo...hehehe), e, por isso, tava tão revoltado, deprimido. Daí eu chegava pertinho, e ficava falando umas coisinhas, e dando os mesmos beijinhos que eu dava nele na realidade, quando estávamos na casa dele. Sabe aqueles beijinhos que se dá nas criancinhas? Eu dava esses beijinhos na face, nos olhos, nos cabelos, no pescoço, nas mãos... Juro que acordei com a sensação de que tinha sido real! Parecia mesmo! E me deu uma saudade...mas não uma saudade doída: uma saudade boa, de quem sabe que nunca mais vai ver aquela pessoa, que as vidas se separaram, masde forma natural, e por quem sempre sempre terei um grande carinho. Diferentemente do que sinto de outras pessoas que deixei lá.

O engraçado é que tava entrando aqui, e pensei no porquê de ter dado a este blog o nome de Intermezzo. E descobri que havia sido porque me achava no intermezzo e que só após eu ir para lá a minha vida iria começar. Hoje, percebo que estar ali foi o intermezzo. Ali eu vivi coisas e fui uma que jamais serei de novo. Não é sendo fatalista, ou dramática (como diria Chele - saudades, amiga - : Fernanda Cênica...kkkk), mas ali...é um tempo suspenso no ar. E que, por agora, prefiro seguir adiante sem pensar muito. A partir de agora, me interessa o agora.

Por fim, quero dizer que a vida segue, "apesar de", como diria Lispector. E, de repente, "é o próprio 'apesar de' que me empurra para a frente".

Beijos a todos.

"Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você. Só enquanto eu respirar."

O Teatro Mágico

 

 



Escrito por Fê Colares às 15h22
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Woody Allen perde para mim...

Tava lendo a crônica do Xico Sá e tinha uma fala interessante: "Foi um lindo amor de quinzena, que de tão forte e quente, logo derreteu. Tão lindo." Realmente, tão lindo. Foi tão linda a minha estória com o Paolo.

O Brasil saiu da Copa. Quase morro. De verdade, fiquei triste. Minha irmã até chorou. Parecia que tinha morrido alguém importante para a gente - essa foi a sensação do dia seguinte. Não é que somos idiotas, é que percebemos que essa Seleção era guerreira, se esforçou, fez o que pôde, só que não deu. Acontece. Eu que o diga. É aquela velha máxima que venho falando: "Quando não tem de ser, nem a dança da chuva..."...hehehe. Mas o que me deixa irritada nisso tudo é a atitude do povo brasileiro. Que povo ingrato! Estão fazendo um escarcéu com Dunga e os jogadores. Isso não existe! Dessa vez foi totalmente diferente de 2006. Aqueles sim, à exceção do técnico Parreira, eram culpados e mereciam um babau, mas esses de agora não.

O B. me mandou uma mensagem tirando onda pela derrota: "Ti sono vicino in questo momento di dolore...hihii" - "Estou perto de ti nesse momento de dor". Palhaço...kkkk. Saudades dele.

Iniciei um novo plantão. Tô na Clínica Médica. Odeio clínica, odeio setor aberto, mas, paciência! Foi no sábado à noite, mas aí tive de dobrar, pois as quatro - quatro, meu povo - colegas que deveriam me render, faltaram. Assumi três setores sozinha: clínica, cardio e traumato-ortopedia. Eram só onze pacientes, mas me deu um trabalho! Foi um plantão dos infernos - Deus que me perdoe - e teve uma hora que eu tive vontade de mandar a "fare in culo" e me demitir, mas, como foi apenas o primeiro... Mas foi uma cena kafkiana, como disse minha amiga Holanda, com direito à comédia à la Woody Allen - não vou contar detalhes por motivos éticos, mas juro que, depois do acontecido, foi engraçado.  

Vou indo...depois falo mais.

Beijos.



Escrito por Fê Colares às 19h33
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"Alvorada lá no morro, que beleza, ninguém chora, não há tristeza, ninguém sente dissabor..."

Há um ano, enquanto pedalava nos recônditos do nordeste italiano, escutava muito essa música. E aí, mesmo tão distante, é a música que traduz o nosso momento no futebol.

Seja em um boteco chique ou em um botequim de ponta de estrada, o povo vive com a seleção. Como diz o slogan no ônibus deles: "Lotado. O Brasil inteiro está aqui dentro.". É realmente o tempo de ser patriota, de ter orgulho mesmo, de acreditar. Não digo que não tenho receio, mas também acredito. Vamos ver na sexta!

"...o sol colorindo, é tão lindo, é tão lindo..."

Música do dia: Alvorada - Cartola



Escrito por Fê Colares às 22h19
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A rotina do perfume é a lembrança...

O cheiro do meu cabelo, que está sujo, é o cheiro do cabelo dele. Sei que isso é até um assunto desagradável, mas é verdade. Hoje, quando fui lavar o cabelo, senti, e imediatamente fui reportada a alguns anos atrás. Não que ele tivesse o cabelo sempre sujo, mas lembro de, na época, nem saber a razão daquele perfume. Mas eu gostava, sabe, como gostava de tantas outras coisas. O fato é que ele deve estar casando - não sei o porquê, mas tenho essa sensação -, e sonhei novamente com ele. Parecia que revivia algo. Senti a mesma face tranquila, confiável (irônico, não, ele ter um jeito confiável e ter me deixado no ano de casar). E aí ele me dizia: "Amor, você me deixa tão triste quando fala mal da Itália...". Uma mistura do passado com fatos pós-ele. Mas o bom é que estou bem. Até já chego a pensar em superação. Talvez não seja o progresso esperado - as pessoas tendem a superar, ao menos na superficialidade (não sei se no íntimo realmente superaram, mas aparentam), e eu vou no meu próprio ritmo, um pouco mais lento, mas tô confiante.

Ontem foi o primeiro encontro do grupo de leitura. Foi sobre mitologia contemporânea, mas a conversa fluiu desde a clássica até exemplos concretos de mitificação. O engraçado é que o grupo, pequeno e agradável, era formado por nosso grupo da Luluzinha e alguns universitários. Ou sou ainda imatura e não superei essa fase, ou o povo da minha faixa etária é muito chato mesmo...hehehe.

Também ontem reencontrei um amigo amado que agora vive em São Paulo. Ou melhor, pernoita lá, porque está mais para "cidadão do mundo". E hoje recebi a notícia de que outro amigo muito amado passou no mestrado, em Natal. Parabéns!

Essa semana, em uma entrevista de um possível emprego (que, nem delonge, é o meu ideal, ms que, se eu for selecionada,vou pegar mais or uma questão de orgulho que por outra coisa), eu soube de alguns adjetivos que não me deixaram feliz - digamos assim. É injusto, mentiroso, de baixo calão. Não vou entrar em detalhes, mas fiqueime peguntando o quanto mudei. Aguentar certas coisas que não aguentava...ai ai ai. Mais uma vez, como canta Chico, "...quem te viu, quem te vê! Quem não a conhece, não pode mais ver pra crer. Quem jamais a esquece, não pode reconhecer..."

A Itália saiu do mundial. Vamos ver amanhã o Brasil...

 Vou indo...  



Escrito por Fê Colares às 22h27
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"Começar de novo, e contar comigo..."

Não é fácil recomeçar. Embora diariamente estejamos recomeçando, seja (já fazendo uso do óbvio) começando o próprio dia, as cotidianidades, até um grande (ou não tão grande) projeto que havíamos pensado. O fato é que, independentemente do que seja, é preciso ter muito palle pra continuar, embora haja o medo. Como já me disse alguém, "...esse é o truque!". É, é o truque. Descobri.

Descobri também que não é preciso que as pessoas saibam da sua vida. Irônico eu falar isso, né? Alguém que escreve tudo (ou, agora, quase tudo) em um blog, que basta um quase desconhecido fazer cara de preocupado e perguntar: "Ei, você está bem?" e se debulhar em lágrimas, que as pessoas costumam ler como está a cotação da bolsa emocional apenas olhando na sua face...bem, até que é um bom começo, não? Tô aprendendo. Ainda falta um tantão pra chegar no ponto justo, mas tô feliz com o progresso, nem que seja de um décimo.

Enquanto espero (sempre esperando) o HC me chamar, tô aí, na lida. Passei em um concurso que nem de longe é o meu "Eldorado", mas... paciência! Provavelmente vou me mudar de novo, agora bem mais perto...o RN não é longe! Não tão longe, como o desejado, ou o temido. E se realmente as linhas aéreas começarem a fazer Recife-Mossoró, até que posso vir aqui. Serão poucos meses... O bom é que poderei aproveitar e conhecer bem o litoral perto, né? Vamos ver a parte boa, não é isso que dizem?

Amanda foi à Itália. Verdadeiramente quero que dê certo pra ela. Levei-a ao aeroporto, ontem, e o bom foi perceber que eu não queria estar fazendo aquela viagem. Não nas mesmas condições. Isso foi bom porque reafirmou que fiz a escolha justa. Acho que algumas vezes é normal se perguntar, não? Acho que todo mundo que deixa algo muito importante para trás sempre se pergunta em algum momento da vida se foi a justa medida. E tô feliz com a resposta que tive. É mais um dos véus que caiu. Para a libertação ainda existem alguns véus a serem postos ao chão...mas tenho tempo.

Começando, mais uma vez, também está o Brasil. Sei que é clichê falar nesses dias da Copa do Mundo. Mas, por favor, eu me vi novamente como uma torcedora ensandecida. Não dá! Mesmo que a cada vez que me decepciono com a Seleção eu diga que não torço mais, que agora serei torcedora ferrenha da Argentina (absurdo! Isso é passível de pena-de-morte...hehehe), eu sempre volto a amar aquela camisa verde-amarela. E olhem que nem sou nacionalista. Então, é daqui a algumas horas. Daqui a pouco saberemos como foi o início da nossa Seleção. Ai ai ai...

E assim vamos todos. Começando.

Mas, como canta uma cantora de quem, na verdade, eu nem gosto, mas que canta essa música piegas (mas verdadeira):

"...vai valer a pena

ter amanhecido

ter me rebelado

ter me debatido

ter me machucado

ter sobrevivido

ter virado a mesa

ter me conhecido

ter virado o barco

ter me socorrido..."

Bom jogo a todos.



Escrito por Fê Colares às 01h48
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"Não, não fuja não, finja que agora eu era o seu brinquedo, eu era o seu pião, o seu bicho preferido..."

Essa semana ocorreu uma coisa engraçada: eu, que sempre pensei que ninguém nesse mundo lê esse blog, descobri que ele, o Paolo, o idílio, o leu. Bem, ele me ligou - ressurgiu, nem que por um lapso do tempo - e disse, assim, meio despropositadamente: "Ah, achei aquele site em que você escreve...". Dei uma risada nervosa, principalmente quando ele complementou com: "...é, você ainda lembra muitos dos palavrões italianos...". Mas o meu nervosismo inesperado não foi por ter usado palavrões, mas por ele ter me visto tão despida. É engraçado porque eu, a partir do momento que escrevo em uma rede mundial, aparentemente livre para qualquer um, não deveria ter esse medo; está implícito que isso pode ocorrer - é como você fazer sexo e achar que nunca poderá engravidar. É contra-senso! Quem faz sexo, mesmo se usa um ou mais métodos contraceptivos, tem que atentar para a possibilidade; quem escreve um blog tem de saber que existe o risco de qualquer pessoa lê-lo, seja sua mãe, seu possível chefe ou o personagem principal de várias estórias. Daí, ri ainda mais nervosamente, e, como não podia sublimar, o proibi de ler novamente (proibição totalmente infundada, pois, possivelmente, a partir desta - se ele se comporta como a maioria das pessoas - a curiosidade aumentará e ele, então, colocará o tradutor do google como seu favorito)... Mas o proibi e ainda disse: "Olha, sei que você já deve ter lido lá sobre você..." Ele, como sempre gentil, desconversou e me jurou que não mais entrará aqui... Imagina!

Mas então percebi que outras pessoas leram. No fim das contas, me deu uma sensação de nudez, um encabulamento, quem sabe igual ao que Adão e Eva sentiram ao se perceberem nus diante de Deus... Mas eu nem deveria setir isso. Primeiro porque, a nível concreto, mais nua ele já me viu... e também porque não devemos não nos envergonhar do que sentimos, do que somos, do que pensamos... talvez não seja tão inteligente se despir tanto - Janine minha amiga me disse que se é por processo terapêutico, seria melhor que eu escrevesse em um diário, colocasse um cadeado enorme e o guardasse em cima do armário....hehehehe... estórias à parte, não sei se é a atitude de "voyerismo"  atual que nos faz agir assim, tão "desavergonhados", ou se é o modo de escrever com uma certa intimidade que só a distância permite. Porque é de se indagar a razão que eu não queria que ele visse... ou o motivo de colocar o endereço deste blog no meu perfil do facebook se não queria que ele, ou outrem, vissem.

Mas gostei que ele me ligou. Foi legal porque eu não quis ler nas entrelinhas. Apenas nos falamos, contamos as novidades. Nos despedimos com un "...A presto!", sem dizer se nos falaremos ainda, ou não. Nem quando. Nem como. Melhor do que um "...a gente se vê", não? Ao menos assim fica a impressão de que pode ocorrer. Assim se dá ao menos a oportunidade da dúvida, do azar ou sorte...hehehehe.

Tá acontecendo uma coisa legal: eu e minhas amigas, Holanda e Chele, estamos com uma idéia de um grupo de leitura... até provavelmente estaremos em um que a Saraiva tá formando. Tô super-empolgada! Cenas do próximo capítulo...

"...pois você sumiu no mundo sem me avisar

 e agora eu era um louco a perguntar

o que é que a vida vai fazer de mim?"

 

 



Escrito por Fê Colares às 18h13
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A queda de um mito...

Bem, vou tirar o tom lamentoso e pessimista da última blogagem... Tá certo que posso até não estar "rindo à toa, mesmo se a vida não está assim tão boa...", como é desejado pelo Falamansa, mas...também vamos parar de ser chata, né? Hehehehe... Como diria Lispector, "...a vida é igual em toda parte; o que é necessário é a gente ser a gente.".

Pois bem, assim vou dizer: não tenhoe studado tanto, não tenho escrito a minha monografia, não tenho feito nada de muito produtivo. Por enquanto. Isso muda a partir de hoje! Tem um tom legal no ar... não sei nem o que é... não sei se é o efeito da voz de B.B.King, mas tõ esperando coisas boas.

Bem, mas tem uma coisa, no mínimo, inusitada que aconteceu hoje: eu, e o mundo todo, viu uma foto de Ibra, o meu ex-querido e amado Ibrahimovic, em uma foto no mínimo comprometedora. Gente, o que é aquilo? Ele é o meu protótipo (físico, vamos deixar claro) de homem há, no mínimo, cinco, seis anos e hoje o vejo ali, quase beijando o zagueiro espanhol? Ai, meu Deus! Pára tudo! No tempo em que ele jogava na Inter, antes disso, ainda quando era na Juve...e eu lá, babando... e hoje se vê aquela foto? É pra colocar luto, povo...hehehehe. É pra fazer como se fazia antigamente no interior aqui do nordeste: se veste só de preto por seis meses...kkkk. Vixe...fiquei foi nervosa!

Brincadeiras à parte... vou ver se estudo um pouquinho...e fiquem felizes... quem sabe a antiga Fernanda não volta?

Beijinhos...



Escrito por Fê Colares às 15h32
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"Segue o teu destino. Rega as tuas plantas. Ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias..."

Seis meses. Faz seis meses que voltei. Seis meses atrás estava cheia de idéias, todas bem construídas, até já concretizadas, na minha mente. Ainda não as resolvi. Nenhuma. Digamos que estou perto de ao menos uma, a residência em Nefro - até que enfim, e outra, o HC...bem, estou na antevespéra, em midríase, com o timbre de voz alterado já há dias, com o sono alterado há meses...estresse, claro! Não sei como será, não sei... estudei, tô estudando, tô me dedicando, e, mais do que tudo, pedindo a Deus, pois será um milagre. Não por concorrência..sinceramente, não me interessa se são 800/1000 ou 10 pessoas para uma vaga. A bem da verdade, o nível dos meus concorrentes, para a minha fortuna, não é muito bom (e isso eu estou sendo condescendente). Entretanto, para a minha não tanta fortuna, ainda existem aqueles iguais...e, por que não dizer, existe o fator sorte, claro! Claro que Deus está avante, mas não tenho certeza se essa é a vontade Dele.

Olhem, não quero me eximir da culpa, nem desculpar uma derrota (se ela vier - tô sendo tão pessimista, ahgt!). Cazzo, e sei que a vida profissional depende de mim. Se nem nessa porcaria, que não depende do outro, eu tiver êxito, em que cavolo de aspecto terei? Principalmente quando tenho me esforçado e sei da minha capacidade? Mas não posso eximir Deus disso...simplesmente porque sou cristã! E conheço os preceitos!

Mas estava ali, pensando, em várias coisas...e, claro, no que vivi nos últimos três anos, digamos. Que foram, indubitavelmente, os mais importantes...não sei se os mais importantes, mas os mais transformadores da minha vida. E em como tudo mudou. E em como eu já fui tantas, em tantas fases, e, ao mesmo tempo, tão a mesma...Como me despedi de certas pessoas importantes: meu pai-avô, meu ex, minhas amigas de residência, que mal vejo...em como alguns relacionamentos, de amizade mesmo, se transmutaram, nas pessoas que conheci na Itália e que, cada uma a seu modo, foi tão importante e me marcou, certamente, para o resto da vida. E, o melhor de tudo, em como isso não me dói. Não sinto dor. É um sentimento estranho. É uma ternura, um aquecimento no peito, quando penso, não sei o nome que daria a isso, nem mesmo sei se isso tem nome. Mas é tão bom. E ruim, ao mesmo tempo, porque  me dá a idéia de que tô estacionada, agora, sem progredir, quando, na verdade, sei que não estou. Racionalmente tenho a certeza de que não estou.

É bom ver que existem sim pessoas que me amam. Algumas mais do que as outras, como a todo mundo. Algumas estão, mas não são na minha vida. Estão hoje, mas não sei até quando. Outras, estão há uma vida, e é possível que continuem. A família...essa muda, muda mesmo, tanto de às vezes nem se reconhecer, mas, no fim das contas, já dizendo o óbvio, ou pior, caindo no senso-comum (eu odeio ser redundante), é que ela sempre vai te agüentar e te dar apoio, mesmo que te ache um "mala" ou um "caso perdido" - não que eu esteja inserida nesse ponto...espero! (risos).

Mas sabe o que é libertador ao chegar nessa idade? (Estou usando o critério idade porque não sei se sou muito madura - então, utilizar maturidade poderia  forçar a barra, não?). O libertador é saber que você está só. Isso. Não quero ser simplista, nem é uma fase de rebeldia à la Álvaro de Campos, mas é isso mesmo. Ainda bem que nunca tive problemas com a solidão. De pequena, brincava com amiguinhas, mas, em casa, me divertia sozinha. Lia meus livros, brincava com minhas bonecas, e estava tudo bem. Já adulta, consigo viajar só, ir à praia, cinema, tantas outras coisas faço só... e amo quando estou em casa sem ninguém. Pra ser mais específica, não vejo a hora de estar morando sozinha - e não é de hoje essa sensação. Agora entendo perfeitamente quando Ricardo Reis dizia que "...suave é viver só...".

Contudo, por que cavolo ainda teimo em querer encontrar alguém, e, quem sabe, ter um filho, e coisa e tal...? Será que é só pela emoção...porque sou movida a emoções? Mas quem disse que isso é emoção? Sou, ao menos circunstancialmente, adulta e sei que uma relação, adulta, não é assim. Eu já tive uma (ao menos uma) relação adulta...não é emoção diária. Se quero emoção, vou pra montanha-russa! E por quê? Perpetuação da espécie? Boh! Gosto muito de crianças, mas não tenho paciência com elas. Transformação do paraíso na terra? Impossível: sou bem apegada a sossego, não gosto que toquem nas minhas coisas, entre outros TOCs...hihihi. Então, o que é? Medo de ficar só? Hummm...acho que não! Senão já teria feito como muitas (por que não dizer a maioria?) das minhas colegas e estaria arrumando um qualquer para sustentá-lo - afinal, o importante é fazer parte da irmandade, não? As mulheres casadas! Ah, essa irmandade...

Mas basta de falar dos outros e me concentrar em mim. O que me falta - além do HC, claro...hihihihi? É sexo? Não! De verdade, estou celibatária por opção, por alguns motivos que não sei se caberiam falar na internet... mas, como o pior já falei, que é o fato de estar celibatária... estou mesmo! Porque não quero sexo sem compromisso; porque, sinceramente, não sou atraída pelo modo como os homens brasileiros cortejam uma mulher, ou melhor, pelo modo como eles não cortejam...e, sorry, eu não sou o iogurte da prateleira, caros! Não sou atraída pela conversa interessante (oh!) sobre o próximo feriado em Gravatá ou aquela maravilhosa vez que foram a Buenos Aires. Ou o novo disco do sertanejo do momento... ou onde passarão o São João escutando o que ousam chamar de forró, uma mistura de tecnobrega e algo que deturpam do verdadeiro forró. Coitado do Gonzagão -  deve estar se revirando na cova! E sabe o que é pior? É que eles ganham pior que você, têm um bucho (vou chamar de bucho mesmo) enorme, e ainda andam ao teu lado parecendo que estão te fazendo um favor. Por Deus! Sou maior do que tudo isso. E graças a Deus que tenho o discernimento pra pensar assim.

Então, eu, mais ou menos bem-resolvida, sinto falta do trivial com alguém? É a rotina que tô reclamando para mim? E como conciliar com meu modo de ver o mundo?  

Eu não sei. Mas agora só quero o HC.

E é isso...

Pra deixar claro, "zitta" significa calada...

"Segue o teu destino.

Rega as tuas plantas.

Ama as tuas rosas.

O resto é sombra de árvores alheias.

A realidade sempre é mais ou menos do que nós queremos.

Só nós somos sempre iguais a nós próprios.

Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre viver simplesmente.

Vê de longe a vida. Nunca a interrogues..."

                                     Ricardo Reis



Escrito por Fê Colares às 02h11
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Deus é deus

Bom, já fiz 31 anos, ontem, e nem doeu...hehehe. Foi um ótimo dia, e revi tantos amigos maravilhosos, e falei com tantos outros... Tantos mesmo... Depois, fui ao shopping com Chele, e Poli, e Holandinha...e foi tudo tão legal...

Mas estou aqui escrevendo para falar de mim. Claro, sou egocêntrica, lembram? Mas pra dizer que como crente, como cristã, não dou testemunho quando coloco Deus como se Ele fosse o meu empregado. Ele não é. Ele é Deus. É soberano. Está acima. Realmente. Então, nada de nessas crises de identidade colocá-lo como fazedor dos meus gostos ou mesmo das necessidades.

Deus, vem em minha vida, no teu lugar. E que seja feita a tua vontade. Em nome de Jesus. Amém!

Beijos a todos.



Escrito por Fê Colares às 01h04
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De que serve aniversário?

Daqui há pouco farei 31 anos. Cazzo! Já tô com 31... que coisa! Sei que todo mundo fala isso e embora, ao também falar, em me torne chata, o blog é meu e ao menos aqui eu faço o que quero. Não me importa que alguém leia, ou que não leia. Ele existe por mim. Para mim.

Sei que tô um saco. Minha amiga Larissa diria que é o "inferno astral", mas como eu sou cristã e não acredito nisso, digo que é porque acho uma merda fazer aniversário e a minha vida ainda estar bem longe do que quero. Não digo nem do que sonho, porque à essa altura não teho grandes sonhos. Tive poucos grandes sonhos. Pra ser mais específica, dois: um não se realizou mesmo e o outro... quando se realizou vi que a estória era beeeem diferente. Então...

Não tenho sonhos. Tenho metas. É mais seguro viver no real. Posso ser etérea, até em demasia,  mas descobri que é mais seguro viver a vida prática, embora chata, sem graça, medíocre, mas é com o que podemos contar.

Sou crente. Crente mesmo. Como crente, só peço a Deus algo relacionado à minha vida prática. Tô fazendo a minha parte. Espero que Ele faça a Dele.

Como crente, acredito em outra vida. Na vida eterna. Acredito mesmo. Mas nem por isso acho que por isso a vida aqui tem que ser uma merda. Mas, sem querer altas viagens, idéias metafísicas, o que chamarem... de que serve? De que serve que no meu aniversário passado, eu tava do outro lado do Atlântico. Não posso dizer que feliz. Isso não posso dizer mesmo. Mas em outra situação, muito diferente. Para que me serviu? Para quê? Os dias passam, os meses passam, para apenas nos aproximarmos da morte? Do que diria Chicó, "o único mal irremediável"? E aí nos apegamos à lembranças, caso tenhamos 80 ou 30 anos? O olhar evita, o olhar escapa, e é isso que temos. Ou estou errada? É para se deixar assomar pela náusea de se perder um grande amor nas bordas do tempo que servem os anos? É uma sintaxe de tensão entre como foi o mundo aos nossos olhos e como o vemos como o nosso olhar cansado? A vida é um caleidoscópio do que temos, ou do que vemos? Passamos pelo mundo e ele nos transforma. Mas, algumas vezes,  nós paramos em alguma cidade, praia, cama.

Depois disso, me digam...para que comemorarmos os aniversários?

Só quero o mínimo. O mínimo a que tenho direito.

Só isso. E escutar Chopin, que me alenta...

Nada de pessoas que nem te olham te mandando mensagenzinhas ridículas, ou mesmo as que te olham. De que adianta esse comboio de boas intenções em apenas um dia do ano?

Melhor os "... discos, e livros, e nada mais".



Escrito por Fê Colares às 23h40
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Amizade

É sabido que em Recife  eu não acho um local que me interesse em termos de lazer. Não tô falando de cinema, praia, mas outra coisa...mas, se existe algo que me salva disso, são os encontros com os velhos amigos. Velhos mesmo, amigo de uma década e meia... e esse ano resolvemos nos ver, todos, ao menos uma vez ao mês... Não estamos cumprindo tudo à risca, mas estamos tentando.

Hoje foi o dia. Fomos ao prédio de Fabiana, praticamente todos. Conversamos, escutamos música, comemos, e, mais que tudo, celebramos a nossa amizade. Sabe aquele dia que vale por vários?

Só por isso já estou feliz.

Amo vocês.



Escrito por Fê Colares às 22h13
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