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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"A te che sei, semplicemente sei, sostanza dei giorni miei, sostanza dei sogni miei..." Foi tão rápido. Mas não sei se posso dizer que foi efêmero. Não sei se é a velha mania que tenho de relativizar as coisas, e, tantas vezes, superdimensioná-las... mas, não foi efêmero. Ainda está em mim. Nem cabe. Nem cabe no que sou agora, nos planos que tracei, na vontade de ser prática, de ganhar dinheiro, de ser racional. Claro que passará, mas ainda lembro bem devagar, fazendo força para ver os detalhes, mas lembro. Talvez seja ainda corajoso de minha parte me apaixonar. Talvez eu nem tenha me apaixonado, e só esteja confundindo o que eu queria com o que de fato ocorreu. Talvez foi apenas sexo. É, pra ele, eu não duvido que foi apenas sexo. Claro que eu era o exótico, a possibilidade de estar com uma mulher bonita, diferente, e que estava voltando para o seu país, isto é, nenhuma responsabilidade...eu acho que isso é uma idéia interessante, não? Pra mim, não, não foi. Nunca o é. Eu sinto as coisas, até em demasia. Mas não posso negar que os meus dias de outono em Milano se transmutaram em flores, com ele. Nas ruas, nos cafés, no enredo de um filme que nem acreditava que estava acontecendo comigo. De repente...de repente aconteceu para que eu pudesse me apoderar dessa estória, e ter o que contar. Devagar, as reminiscências passam. Eu lembro o olhar dele, descendo aquelas escadas. Eu lembro o olhar dele, me esperando no metrô. Eu lembro o quanto apertava a sua mão enluvada, andando di scooter, do riso meio de lado...do quanto ele ficava dentro de mim, depois do sexo. É que a gente gostava de estar assim, eu e ele, como no mar...o mar que ele tanto ama, o mar de "Oceano mare", o mar onde Elisewin, mesmo sem entrar, consegue se transformar em mulher, o mar que Bartebloom nunca achou o começo, ou o fim...e nós repetíamos, mesmo sem saber, a estória de "Oceano mare", vivendo os nossos personagens preferidos. Lembro das nossas conversas, ainda inebriados pelo amor, e era o momento para nos conhecermos. E ele permanecia ainda longamente em mim, e sentíamos ainda mais intensamente um ao outro, cada vez menos, mas sempre intensamente, mais ou menos como acontece agora, só que agora não é no âmbito físico; e depois ele me fazia rir, e eu gostava, e ria de novo, e o meu riso fazia com que ele fosse despido de dentro da caverna marinha, refugiado em exílio, frágil...e depois ele me beijava com ternura as costas e os pés, e segurava a minha mão. Nesse momento eu me sentia menos só, e talvez ele também sentisse o mesmo, ambos à beira do grande abismo negro. Eu chorei...como eu chorei! Chorei porque eu havia decidido voltar, e não iria mudar uma decisão racional, com grandes consequências na minha vida, por uma possibilidade. Eu não podia. Não era inteligente. Eu não podia cometer um erro que fiz anos antes, com o meu ex-noivo. Então, voltar nessas condições, ao contrário do que alguns amigos me disseram, não foi "loucura". Parafraseando Baricco, "...não é loucura quando encontramos o sistema para nos salvar. É genialidade, é perfeição". Mas lembro de ter chorado todo o caminho Milano-Venezia, e Venezia-Portogruaro, no trem, e uma senhora me olhava com um misto de curiosidade e piedade, e a cada página de "Oceano mar", eu irrompia em lágrimas. Eu era Elisewin. Era Fernanda ali. Voltei há quase dois meses. Depois de uma despedida típica, sem querer parecer novela mexicana... mas eu sabia que provavelmente nunca mais ia ver aquela pessoa...e eu queria pegar o abraço, fazê-lo concreto mesmo, poder guardar um pedaço do abraço vizinho à minha cama. E poder olhar para aqueles olhos todas as vezes em que eu me sentisse perdida, e pudesse encontrar a vivacidade daqueles olhos... Então, voltei, e estava meio anestesiada. Sabia que ele ia me faltar. Mas a falta foi chegando devagar. Até porque nos falávamos, e ainda nos falamos, eventualmente, via skype, sms, email... Mas ele é workaholic, e eu, graças a Deus, estou me tornando uma. Assim, a tendência é o esperado acontecer. Mas tem dias em que a falta se faz mais presente. E ele, quando me dedicou o livro, escreveu que cada vez que o lia encontrava alguma coisa nova, e que dessa vez havia me encontrado, "...por um dia, uma hora, uma vida, não importa...", aquele ponto, eu já estava, e ficaria dentro dele.
E como Elisewin, eu desci até o mar, o oceano-mar, a uma cidade rio-mar. Mas a diferença é que a minha transformação de borboleta em mulher se deu antes, em uma cidade que não tem mar. A cidade dele. Baricco escreveu a minha vida. "Assim Elisewin desceu em direção ao mar no modo mais doce do mundo, levada pela corrente, através da dança feita de curvas, pausas e esitações que o rio tinha aprendido em séculos de viagem, ele, o grande sábio, o único a saber a estrada mais bela e doce para chegar ao mar sem ferir-se. Desceram com aquele lentidão decidida ao milímetro da sabedoria materna da natureza, enfiando-se pouco a pouco em um mundo de odores, de coisas, de cores, que a cada dia revelava, lentamente, a presença distante, e também sempre mais próxima, de tudo o que os esperava. Mudava o ar, mudavam as auroras, e os céus, e as formas das casas, e os pássaros, e os rumores, e as faces da gente, à beira do rio, e as palavras da gente, nas suas bocas. Água que escorregava sobre a água, cortejamento delicadíssimo, o rio como uma cantiga da alma. Uma viagem imperceptível. Na mente de Elisewin, sensações a milhares, mas leves como plumas ao vôo. (...)
...Para que ninguém possa esquecer de como seria lindo se, para cada mar que nos espera, existisse um rio, pra nós. E alguém - um pai, um amor, alguém - capaz de nos pegar pela mão e de achar aquele rio - imaginá-lo, inventá-lo - e sobre a sua corrente nos pousar, com a leveza de uma só palavra, addio. Isso, verdadeiramente, seria maravilhoso. Seria doce, a vida, qualquer vida." Obrigada a ti. Música do dia: A te - Jovanotti
Escrito por Fê Colares às 17h58 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "But I still haven't found what I'm looking for..." Ainda não comecei na Nefro. Ficar em casa tá me enlouquecendo... Não vejo a hora de me ocupar e, principalmente, colocar em prática o meu plano de vida: trabalho, trabalho e trabalho. Hoje, dirigindo pela cidade, eu fiquei me perguntando a razão das coisas serem tão injustas. É tão injusto a gente não ficar onde quer, porque simplesmente não tem como progredir em alguns aspectos. Sei que serei bem-sucedida profissionalmente. Tenho certeza disso, porque tenho condições e lutarei pra isso. Mas sei que sempre haverá um vazio. Sempre. Ontem, no cinema, vi um filme do mesmo diretor de "O albergue espanhol" e "Bonecas Russas". Se chama "Paris", e, claro, entrou no rol dos meus preferidos, como os citados anteriormente. Boas imagens de Paris, bons diálogos, boa análise da vida. Cumpriu a sua função. Afinal, a arte também tem uma função, não? Recebi um email fofo do Federico, ontem. Ele disse que eventualmente vem aqui e lê as blogagens, e que nesses anos ele percebeu que deixou escapar muita coisa de mim. Que tinha muitas coisas a me perguntar, apesar da gente ter se deixado de uma forma não tão boa. Não sei porquê o Federico acredita que nos deixamos mal. Eu já disse mil vezes que não, que não foi bem assim. Ele fez a escolha dele. Pronto! Festa finita. Ele disse ainda que quando um homem tem um interesse em uma mulher (sexualmente falando), às vezes deixa escapar as coisas importantes. Não importa. Não importa mais. Se ele ainda quer me conhecer, no problem. Não que eu seja uma obra de arte, ou um lugar. Mas não podemos nos fechar quando existem pessoas que valem a pena. E eu gosto muito dele. Não importa o rumo que as coisas tomaram. Acho que também tô em TPM. É a única explicação. Tô tão irritada! Acho que tô perdendo a fé. Em muitas coisas. "...que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca" Ferreira Gullar Escrito por Fê Colares às 14h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "It's a new dawn. It's a new day. It's a new life for me, and..." Os dias vão passando mansamente. Bem, não posso dizer tão mansamente, de acordo com os acontecimentos da última semana, onde uma amiga-irmã teve uma perda irreparável: a perda da mãe. Mas acho que é o efeito da voz de Nina Simone...me faz parecer que tudo vai mansamente, como o curso do Capibaribe, que ainda nao revi com atenção, ou de um gato quando se aninha nas pernas do dono. De repente, é isso: eu quero que a minha vida seja um gato que se aninha nas pernas do dono. Nas minhas pernas. Hoje faz um mês que cheguei ao Brasil. Um mês. Parece que faz mais tempo. Ao mesmo tempo, parece que ainda estou lá, porque ainda não consegui romper o invólucro da distância em tantas relações. Tem amigos que ainda nem vi; tem outros que vi, mas apenas vi, porque seguiram adiante, e todos nós mudamos. Além do mais, as amigas, a grandíssima maioria, namorando sério, construíram uma espécie de irmandade onde estão elas e os seus respectivos amados, e acabou o mundo...hehehe. Tem a falta do meu amado pulsando lentamente, como um prenúncio do que está por vir, da bradicardia antes da assistolia. Eu não sei se libertei o sentimento. O dele. O meu. Eu não sei. Estou bem, claro, mas não sei se libertei, se caí em mim que não tem jeito pra gente. Está consumado! Quando decidi voltar, eu sabia o que estava fazendo, e fiz bem. Eu sei. Claro que sinto falta de Milano. Não posso nem dizer falta da Itália, mas de Milano. Claro que amo mais a Itália que o Brasil. Claro que ODEIO a má-educação da grande parte da população daqui. Eu odeio. Eu odeio ter de sair na rua com flanelinha que, veladamente, te ameaça. Eu odeio a música recém-lançada do sertanejo do momento ou da nova banda de forró me estourando os tímpanos. Claro que odeio os homens brasileiros que têm um bucho enorme, são feios, ganham pior que você, e ainda acham que te fazem um favor por te olhar. ODEIO! Tenho uma grande chance de virar, literalmente, "titia", mas me recuso a aceitar isso. Um domingo desses fui a um bar de praia com umas amigas. Fui porque decidi não estar só em casa, não me esconder. Mas, sinceramente, à parte a conversa agradável das meninas, foi um fiasco: eu nao entendia como elas, mulheres bonitas, independentes, achavam cada criatura daquelas presentes no bar, interessantes. Uma falava: "Olha lá, aquele...que lindo! Uau...e tá olhando...". Então, todas olhavam na direção. Eu não via aquilo que elas estavam vendo. Perguntava-me se estava com uma espécie de cegueira momentânea. E isso foi por todo o tempo em que estivemos ali. Então, percebi que o problema era meu. O problema é que agora tudo è dimensionado pra mim, eu sei. Vão me dizer isso. Pode ser. Mas não é só isso: antes de viajar, de conhecer o meu amor, eu já pensava assim. Mais ou menos já deu pra intuir que eu voltei não por uma questão de saudade, de nacionalismo... foi uma decisao racional: aqui poderei conquistar algumas coisas que, à nível prático, ali eu não poderia. Infelizmente. E descobri que não há lugar perfeito. Não mesmo. Sabe qual é o meu problema? Meus amigos diziam que eu sou européia demais pra viver no Brasil. E eu descobri que sou brasileira demais pra viver na Europa. Então, é uma dicotomia difícil de ser resolvida... Estou muito animada com o que quero fazer à nível profissional. Não que eu ainda tenha a idéia romântica de ir pro "Médicos Sem Fronteiras" ou fantasiosa de fazer doutorado. No way! Quero ganhar dinheiro. Isso mesmo. Acho que pela primeira vez na vida penso em trabalhar apenas com o intuito de ganhar dinheiro. Em cinco anos pós-laurea, é a primeira vez. E não vejo a hora de colocar isso em prática. Graças a Deus, vou conseguir dar o primeiro passo: terminar a residência de Nefro. Depois, quero mais. Infelizmente, não tanto dinheiro, porque nessa profissão de merda, principalmente depois do edema do mercado, com mil faculdades que se reproduzem em progressão geométrica, ninguém fica rico...hehehe. Mas sei que sou melhor do que muito profissional que tem aí no mercado, então...vamos tirar proveito disso. Vou virar workaholic e depois de uns anos...volto a viajar e usufruir dos lugares que amo. Enquanto isso, escuto Nina Simone... And "...I'm feeling good..." Tcharam tcharam...
Escrito por Fê Colares às 01h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Depois de te perder, te encontro, cm certeza, talvez no tempo da delicadeza..." Madrugada da sexta para o sábado. Tô meio pensativa hoje. Também porque uma pessoa muito querida está passando por um problema de saúde, e eu me sinto sofrendo junto a ela e às outras pessoas que a amam, e a quem amo. E nessas horas voce ate chega a questionar Deus e o porquê de algumas situações, mesmo se, como creio, sei que ha uma explicação pra tudo. Mas me sinto esvaindo...embora se deve acreditar. Sempre. Hoje comi como uma loba. Nao posso. Amanha devo maneirar, se nao quiser ser a gorda da vez. Não dá! Sinto falta dele. Temos nos falado, eventualmente, mas o último email foi tão curto, e tão seco - embora ele continue dizendo que sou linda, e eu podia ler em seus olhos que ele era sincero. Ainda não conseguimos nos falar via skype. Eu sei que a tendência é nos distanciarmos, e eu espero que nao demore, porque, se tem de ser, que seja logo! Não quero em doses homeopáticas! Embora algumas amigas ainda digam: "Quem sabe...", eu, eu prefiro nao acreditar. É uma forma de me proteger! Entao, eu parti, e espero que a tempo "...da gente se desvencilhar da gente...". Antes eu enchi os olhos, pra lembrar: o cheiro, a textura da pele, o peito, o olhar...ah, o olhar. E hoje ainda tenho nítido tudo. Mas o tempo embacerá a memória. Queria acreditar que o encontraria "...no tempo da delicadeza...". Embora, francamente, eu nao sei bem que tempo é esse. Será que existe?
Escrito por Fê Colares às 03h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Existem lugares que fascinam porque parecem radicalmente diversos, e outros que encantam porque, já na primeira vez, parecem familiares, quase o lugar natal. Conhecer é frequentemente, platonicamente, reconhecer, o emergir de alguma coisa talvez ignorada até aquele momento, mas sempre existido. Pra ver um lugar, serve revê-lo. O familiar, continuamente recoberto, é a premissa do encontro, da sedução e da aventura; a vigésima ou centésima vez na qual se fala com um amigo ou se faz amor com a pessoa amada são infinitamente mais intensas da primeira. Isto também vale para os lugares: a viagem mais fascinante é um retorno, uma odisséia, e os lugares do percurso diário, os microcosmos cotidianos atravessados em tantos anos, são o desafio. " Por que cavalgaste por esta terra?", pergunta na famosa obra de Rilke um personagem ao marquês que está ao seu lado. "Pra retornar", responde o outro. Assim, assim somos nós. Começo a sentir falta do que deixei na Itália. Mas essa falta, essa falta eu aprenderei a conviver com ela. Ela estará sempre lá, como "uma farpa incrustada na parte mais grossa da sola do pé", como diria Lispector. São coisas imanentes à vida adulta. Música do dia: "Reason" - Hoobastank
Escrito por Fê Colares às 23h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "...quando bate a saudade eu vou pro mar, fecho os meus olhos e sinto você chegar..." Acabei de ver o último episódio de ER. Acabei d ver Carter. A partir de agora, nao tem mesmo mais ER. E em Grey's Anatomy, essa semana, teve o casamento da Izzie com o Alex. Claro que chorei, seja em um que no outro programa. E também revi alguns amigos. Ainda me faltam vários. E engordei quase 1 kg e emagreci quase tudo de novo. E comi cuscuz com queijo, tapioca, feijao... várias e várias comidinhas que sei que não deveria. E tive milhões de crises alèrgicas que em um ano de Italia não tive. E não escrevi para várias pessoas, vários amigos, que deixei na Itália, mesmo sabendo que deveia fazê-lo, e que vou faze-lo, mas que no momento eu não sei bem o que dizer. E comprei um caderno para escrever as receitas das comidas gostosas que minha irmã faz, que minha tia faz, mesmo sabendo que quando eu estiver sozinha não vou cozinhar aquelas coisas por um grande risco de virar um boi...kkk. Mas eu escuto a voz do Paolo me questionando sobre quem cozinharia para os meus filhos, mesmo sabedo que há uma possibilidade real desses filhos não existirem. E estou me repetindo... as frases, as palavras...o teclado do computador que nao ajuda, e tenho de martelar as letras, se quiser que funcionem. E engulo os acentos, acostumada que era com o teclado italiano, e mesmo com o teclado normal ainda nao lembro de colocar, e me torno uma analfabeta..hehehehe. E cada dia mais esqueço o italiano. Não era a minha intenção, mas é a ordem natural das coisas. E leio Lispector. E leio Baricco. E alterno os dois, como me alterno com o que fui. E faço corrida na Av. Boa Viagem, pra tentar dar um viço de vinte e poucos anos às minhas carnes de trinta. E escuto Jovanotti, que no MP3 me traduz, e me lembra que eu "...sei que não sou só, mesmo quando sou só..."* e que "...por mais que eu me identifique com os batimentos de um outro, será sempre através desse coração..."*. Pareceria uma contradição, mas não o é. E o mar... o oceano mar... hoje tem um outro significado pra mim. Porque eu conheço alguém que o ama muito. E nem é pescador, ou marinheiro, ou um nascido em uma cidade litorânea. Na verdade, a sua terra nem tem mar. Mas ele traz nos olhos as vagas, e a limpidez das águas, e o fascínio, que tenho certeza, era presente nos olhos dos primeiros navegadores. E ele me diz que queria me beijar lá, no mar... E eu queria, se não fosse totalmente fora do sentido dos fatos, se não destoasse da minha vida atual, eu queria estar grávida, agora, e fico torcendo pra a minha menstruação não vir, mesmo sabendo que virá, é inevitável, que é impossível eu ter gestado, mesmo sabendo que eu nem quero ser mãe agora... seria bom se se pudesse guardar o sêmen em algum lugar dentro de nós, e na hora justa...pumba! se apertava um botão, e você gestava. E eu queria um filho dele. Que na verdade seria só meu, pois ele nem saberia. E não seria, de fato, de ninguém, pois é sabido que filho tem asas nos pés depois de um certo período. Mas o filho me lembraria o presente que a vida me deu, quando eu pensava que o trem tinha partido. Assim, eu sinto que nesse próximo ciclo, eu sinto que eu vo chorar, mesmo sendo ilógico. Mas até o chorar é diferente. Parece que eu choro sem lágrimas, porque assim que elas surgem, elas desaparecem. Talvez isso seja porque eu to feliz. Talvez seja sinônimo de controle emocional. Quem sabe? "...onde se inicia o fim do mar? Ou ainda: o que dizemos quando dizemos: mar? Dizemos o imenso monstro capaz de devorar qualquer coisa, ou a onda espumosa em torno aos pés? A água que podes ter na palma da mão ou o abismo que ninguém pode ver? Dizemos tudo em uma só palavra ou em uma só palavra tudo escondemos? Estou aqui, a um passo do mar, e nem mesmo consigo entender, ele, o mar, onde está. O mar. O mar."* Alessandro Baricco * traduzidos por mim. Então, se não é uma tradução perfeita, entendam...hehehe.
Escrito por Fê Colares às 01h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "...voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..." É isso mesmo, to de volta. Depois de um ano fora, voltei pra casa. E to tao bem, povo! Graças a Deus! Eu amo a Italia. Amo mesmo. Nesse tempo todo que nao escrevi, eu me mudei pra Milao, morei la dois meses e um pouco. Ali sim é Italia. Trabalhei em uma UTI Coronarica, fiz algumas novas amizades, fui ao cinema, a livrarias, a cafés, a museus. Foi pra isso que estava lá. Mas aí voces podem me perguntar: "...se era tao bom, por que voltou?". Porque eu descobri uma coisa inimaginável antes: que eu sou uma que provavelmente nao pode morar pra sempre longe do meu lugar. Imagina, eu, a "cidadã do mundo"(eu me achava...kkkk), a cosmopolita, etc e tal. Risos. De verdade, nao sou nacionalista, bairrista, mas a cultura é algo entranhado. Existem pessoas que conseguem sim viver pra sempre longe. Eu nao. Nao que eu vivia com ataques de banzo (kkkk). Mas, a um certo ponto, faz falta sim determinadas particularidades, embora a Italia continua havendo um grande pedaço do meu coração, e sei que as sensações que vivi lá...disso, eu sempre sempre sentirei falta. Sim, sensações. Vocês sabem, devem já ter percebido, eu sou toda sensações. E um tempo longe, sozinha, é extremamente rico internamente. Sempre sentirei falta do frio do outono, do cheiro que tem o ar quando chega o outono (deu pra perceber que é a minha estação preferida, né?), das ruas de Milao, de coisas que eu nem teria espaço se fosse enumerar aqui. Mas hoje nao quero mais só sensações. Quero um pouco da vida prática. Quero o que antes sempre critiquei: o trivial, a praia no fim-de-semana, o feijao com arroz. É incrível como as idéias podem mudar, não? Nao sei se quero mais sorver cada gota de emoção. Lá, eu fiz isso. Vivi intensamente todos os meus dias. Todos. Me apaixonei duas vezes. Saí deixando o meu coração lá. Mesmo apaixonada, resolvi voltar, e o legal é que foi uma decisao racional, muito bem pensada. Me despedi do meu amado chorando, à la filme de Hollywood. Mas fechei o ciclo. Fechei com o meu ex, finalmente, pois nos encontramos pra conversar. E agora to pronta pra seguir adiante. Agora posso recomeçar realmente. Tô me sentindo livre. Sim, livre. Não sei explicar a sensação. É uma leveza no coração. É a leveza de ainda nao saber como vai ser, mas saber que será tudo bem, que a partir daqui vou construir uma coisa sólida, porque me sinto forte. Eu, sozinha, me sinto forte. Acho que isso è maturidade, não? Entao, depois eu escevo mais. Quem sabe agora nao me torno mais assídua? Beijos a todos. Música do dia: Emoções - Roberto Carlos. Escrito por Fê Colares às 11h30 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "...se for so um arranhao, eu nao vou nem soprar!" "Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando a pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria à minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. (...) Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Nao era amor, era melhor” Martha Medeiros Pelo meu ultimo post, deu pra notar que ando um pouco confusa...hehehehe. Mas aì tava lendo Martha Medeiros, e tem uns textos que nos leem, né? Esse aì, por exemplo... Espero esgotar esse argumento agora. Proprio agora. Por isso postei esse texto, e é como se eu me libertasse nesse momento de qualquer amarra. Basta de colecionar estorias mal-resolvidas. Recebi um comentario sobre o meu post anterior, mesmo no momento em que estava down down. Foi tao legal... sao essas coisas que faz valer a pena escrever um blog. Hoje eu to bem. Graças a Deus. Sentindo falta dos meus, que estao no Brasil...mas muito bem. Beijinhos a todos... Musica do dia: Rosas - Ana Carolina "...se causei alguma dor nao foi por querer, nunca tive a intençao de te machucar. (...) eu retomo o meu caminho, e nada a declarar. Meia culpa, cada um que va cuidar do seu. Se for so um arranhao, eu nao vou nem soprar." Escrito por Fê Colares às 16h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Palavras... Eu so queria entender porque aquelas palavras ainda cravam a minha carne. Ha uma semana atras foram ditas, mas elas ainda me acompanham, acordada, dormindo, sonhando ou nao. Nao estou entendendo porque me dòi tanto. Nao mesmo. Nao ha sentido nisso. Hoje estou particularmente triste. Musicas do dia: Angels - Robbie Williams e Streets of Philadelfia - Bruce Springsteen
Escrito por Fê Colares às 08h31 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] And always will be...what? "I will go down with this ship and I won't put my hands up and surrender. There will be no white flag above my door. I'm in love and always will be..." A voz dela é tao doce, que consegue dizer palavras duras de uma forma tao suave...é incrivel como Dido, alem de ser uma excelente cantora, parece usar um eufemismo. Coisa, entretanto, que parece faltar às pessoas aqui. A ideia que tenho é que conseguem passar de um extremo a outro em uma velocidade que faz inveja às lebres...hehehe. Quase sempre, se tornam estupidas...aff! A coisa bela é que estou vivendo um turbilhao de emoçoes. O tom dessas emoçoes é um outro discurso, mas nao posso negar que pra quem nao queria o marasmo, a mesmice, estou bem. Tenho medo de deixar algumas coisas passarem. Algumas, que se romperam, sei que as vivenciei do melhor modo que podia, outras, nao sei... E nao quero cometer mais erros. Basta! Mas quero, e mereço, ainda recomeçar. Talvez com alguns arranhoes a mais, mas, com certeza, nao posso negar que sinto a vida. Assim, pegajosa, doìda, quente, fria, surreal...a vida real. Mesmo se a imaginaria é tao confortavel! Na ultima semana fui do extremo da tristeza, com lagrimas que me pareciam sangrarem, frutos de uma decepçao gigantesca, à felicidade de estar uma noite, sozinha, comendo em uma livraria no centro de Milao, de frente para a Galeria Vittorio Emanuelle II, agradecendo a Deus. Eu, em 48 horas, vivenciei tudo isto. E por isso ainda nao volto. Nao desisto ainda. Ainda devo viver algumas coisas, e (quem sabe?) resolver outras. Posso ter arranhoes, mas nao quero ter arestas, ao longo da vida, e preciso aparà-las. Ah! E nao é verdade que, como canta Dido, "...I'm in love...", infelizmente. Mas, quem sabe o resto da frase nao é verdade?
Escrito por Fê Colares às 20h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Esse seu olhar, quando encontra o meu..." Apenas um olhar. Juro que nao houve tempo para mais nada. Em segundos, ele me viu, eu o vi, ele se voltou, eu me voltei, ele riu, mas nao riu de verdade - riu um pouco, com metade da boca (sabe aquele riso de resignaçao?). Fisicamente, ele era o que posso chamar de "o tipo justo". Era o homem dos meus sonhos: rosto carente, cabelos pretos e encaracolados, oculos que dava um ar de intelectual, mas nao de cdf...um intelectual "to nem aì". Continuei subindo a escada, e esperei que ele voltasse. Sabe aqueles dois minutos que voce sabe que fal zlgo sem sentido, ate estupido, mas continua a fazer? Eu, em plena estaçao de trem de Milao, eu esperei ele voltar. E ele nao voltou. Nao importa que ele nao tenha voltado. Nao importa que eu esteja em extase porque finalmente uma coisa que eu tanto queria vai acontecer, e eu to num misto de felicidade e medo tao grande que nem gozando dessa sensaçao, desse acontecimento, estou. Nao importa que agora eu veja uma luz...depois de tanto tempo. O importante é que ele, o misto de Carter-Erico-Federico, ele me olhou. E apenas isso me faz ver as possibilidades...possibilidades de se renovar. Eu, eu me renovar. Nao seria ele, nem ninguem, mas eu posso, como as estaçoes, me renovar. Tudo isso por um olhar. Eh, Fernanda engraçada... "Esse seu olhar, quando encontra o meu, fala de umas coisas que eu nem posso acreditar..."
Escrito por Fê Colares às 18h15 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Tudo isso, por amor? Ele vai casar. No proximo dia 26. Ele vai casar e ainda tem coragem de comentar comigo que esta nervoso. Que deu um jeito nos dentes do pai (ele é dentista), na semana passada, e que os pais estao ansiosos, e que ele parece um menino assustado. Tà morrendo de medo. Embora namore hà nove anos. Embora acredite que é a mulher certa. Mas ele titubeou...titubeou, porque tinha medo de descobrir que "ela nao era mesmo a mulher certa" - palavras dele. Titubeou, porque (sempre com suas palavras) de repente, ele poderia me ver, e seria como ele sabia que seria: maravilhoso, màgico, até porque sabe como o diferente maqueia tudo, nao? Entao ele disse que, se me visse, ele iria ter dùvidas, mas sabia que mesmo com as dùvidas ele iria casar, porque nao é de se jogar. Porque nao é de arriscar. Porque nao faria jamais bungee jump. Porque a estabilidade é a coisa que ele mais preserva. Porque sabia que aqui, profissionalmente, eu jamais seria como ele me conheceu, e que, me conhecendo, sabia que eu nao ia me estagnar, aceitar estar aqui, e ele, por sua vez, nao teria coragem de ir "a terras desconhecidas". Entao, estariamos em uma encruzilhada. E ele, lembrem, nao gosta de encruzilhadas. Nao gosta nem de palavras cruzadas. Nao gosta de vidas cruzadas. Gosta de viajar uma vez ao ano a Sardegna, de nadar na piscina do clube no verao, gosta de rever os pacientes que sempre tornam ao consultòrio, de ir à missa em datas cristalizadas ao longo do ano, do seu carro ultimo modelo, do status, da sua vida faticosa - ou, como cantariam, "complicada e perfeitinha", da hipocrisia que rodeia algumas relaçoes sociais... Disse que nao a deixaria, mas estaria mal por anos, pensando como seria se tivesse ficado comigo. Apesar do medo, ele, ao tomar essa decisao, se sente pronto a "mudar" a vida, a mudar a casa... a fazer feira, conta no fim do mes... a ter uma casa na praia, um filho, um cachorro. A enfrentar sogra, cunhado, sobrinho, parente, natal, dor-de-cabeça recorrente. Tudo isso, por amor. Eu sou o diferente. Eu sou o que ele quer e o que ele teme. Eu sou a representaçao de tudo o que ele deseja, mas nao tem coragem de assumir. Eu sou o que ele se pergunta todas as manhas "...e se?". Entao, se ve que apesar de tempos e tempos de conversas que permeavam da crise do ecossistema global até as elucidaçoes psicològicas contidas na mitologia grega, passando, claro, por assuntos de saude (como as vàrias discussoes sobre exames, doenças, sinais e sintomas, entre outros assuntos chatos que os profissionais da saude teimam em falar)... apesar disso, o diferente é diferente, e sò. Como cantaria Caetano, "... é que Narciso acha feio o que nao é espelho". E o espelho, nesse caso, é ela. Eu o conheço como ele se mostrou. Ele me conhece como eu me fiz. Mas, talvez por isso mesmo, talvez conheçamos um ao outro mais do que muita gente que faz parte do nosso dia-a-dia. E assim a roda gira. "...la voglia di non ragionare, ma vivere sempre disposto a rischiare e ridere...riderne... Semplicemente"
Escrito por Fê Colares às 15h08 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nao ha perdao para a chata Cansei desse papo de que nao me reconheço mais. Estou ha meses dizendo isso pra mim, e isso nao é salutar, porque nao me impele a ver as coisas como realmente sao. As coisas... como diria o meu amado, e preferido, e idolatrado (salve, salve!) Drummond de Andrade, "...que tristes sao as coisas, consideradas sem enfase". E' isso aì! Nao quero mais me lamentar - embora as esteja olhando sem enfase. Mas sei que nessa fase de nao-lamentaçao, um pouco "carpediemniana", isso inclui tambem nao pensar muito, inclui estar um pouco entorpercida, ou, como cantaria Zeca Pagodinho, devo "...deixar a vida me levar". Cansei de ser chata. E se lamentar é ser chata. E "nao ha perdao para os chatos", né, Cazuza? Talvez eu esteja metendo os pes pelas maos. E', talvez sim. Mas tambem todo mundo precisa cometer algumas loucuras na vida, nao? Sempre fiz as coisas mais ou menos certas. Apesar de escolhas erradas (leia-se profissionalmente, principalmente, e - quem sabe? - ter vindo morar na Italia), sempre fui muito dentro dos padroes, digamos. Hoje, nao que eu queira o escandalo, mas quero tirar proveito do que disponho em maos. E o que disponho? E' estar num lugar no meio do nada, mas perto do mar, no verao? Entao, vamos pra praia! E' ter homens diversos, de idades diversas, me cortejando? Vamos là: vejamos quem corteja melhor, quem me ganha - nem que seja pra terminar essa temporada aqui. Nao que eu realmente goste disso. Que eu realmente queira dar pra qualquer um - nem estou fazendo isto...hehehehe. Mas, às vezes as circunstancias nos impelem pra determinadas coisas. Sempre fui a namoradinha. Sempre. E aqui continuei a ser, mas, pelo jeito, nao era o momento, nao era a pessoa, nao tinha de ser. E', porque quando nao tem de ser...nao adianta reza, choro, nem mesmo a dança da chuva. 'Cabou-se. Vejam eu: eu tenho residencia, sempre fui uma profissional excelente, falo o italiano bem - às custas de anos de estudo, sou uma (de duas) das primeiras que a empresa manda do Brasil. Onde estou? Em Fossalta di Portogruaro. Alguem ja escutou falar? Nao? Nem eu... Agora, descubro que a empresa tem (ja tinha antes?) a possibilidade de mandar profissionais para Milao, em um centro especializado em cardiologia, onde se pode fazer ate especializaçao em cardio. E por que cargas d'agua eu estou aqui? Pra fazer curriculum? Que curriculum? Trabalhando em uma casa de repouso? Aprendendo o que? A esquecer o que aprendi? Minha amiga Larissa diz que é destino. Que deve existir uma razao. Nao quero mais buscar razoes. As vezes uma razao nos alenta. Fiz isso nos primeiros meses. Era porque eu tinha de ser mais humilde. Mais madura. Mais generosa. Com menos pré-conceito. A aprender a dividir, a aceitar as diferenças. Foda-se. Nao quero mais achar razao pseudofilosofica pra estar aqui. Nao tinha de passar por isso nao. Pra estar em cidade pequena eu tinha continuado em Surubim, ou ia me enclausurar em Mamanguape, aquele fim de mundo. Mas eu estou na Italia. E quero aproveitar. Bem, mas eu disse no começo, basta de ser chata. Entao, prometo a mim - e ao meu blog, que nao me lamento mais - ao menos da minha condiçao profissional no momento. Esse foi o lamento-despedida. Por isso tinha de ser grande. Mas, proprio por isso, preciso de compensaçoes. Nao é a vida à base das compensaçoes? Entao, eu mereço sim meter os pes pelas maos, ao menos um pouco, nao? Por exemplo, dei um trago em um cigarro de maconha - que juro que nao sei se era maconha mesmo, escutando Bob Marley. "Don't worry about a thing, 'cause every little thing gonna be all right". Foi tao rapido que nem pude contemplar o momento. Adolescente, eu sei. Mas e daì se fiz trinta? Quero acreditar na musica. Every little thing gonna be all right! Vejamos. Beijos a todos.
Escrito por Fê Colares às 13h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Quem te viu, quem te ve. Quem nao a conhece, nao pode mais ver pra crer; quem jamais a esquece nao pode reconhecer!" Dizem que escrever faz bem, que ajuda, e tambem por este motivo comecei a escrever esse blog, em tempos idos - tao idos, que nem parece que era eu. Mas ai, de repente, as mudanças chegaram, e foram tantas mudanças, que em quase seis meses eu consigo visualizar ciclos que se fecharam, e outros começaram... a idéia que eu tenho é como se eu estivesse aqui ha tempos. Provavelmente quer dizer que estou vivendo intensamente, mesmo o que nao se tem pra viver. To muda. Nao tenho dado muitas noticias aos meus caros. E nao por orgulho, ou por maldade (ate aqui nao to escrevndo como fazia). Mas é um tempo de grande intensidade interna. Me sinto muito barulhenta. Muito mesmo. Nao perdida, nao triste, nao mal, mas barulhenta, indecisa, indefinida. Pronto, achei a palavra: indefinida. Coisas que eu fazia antes, como uma simples ida ao cinema, nao faço mais porque aqui nao tem cinema...kkkk. Ir a uma livraria...o que é isso aqui? kkkk... Em compensaçao, atitudes antes impensadas...estao acontecendo. Entao...em certos momentos, nao me reconheço. Nao estou falando isto em um sentido ruim, mas ate de melhorar a personalidade... E em pontos negativos tambem. No sentido sentimental, tem aparecido uns paquerinhas. Se fosse por quantidade, eu nao teria do que reclamar. Nao mesmo. Ate interessantes, uns mais do que os outros... mas a quantidade nao importa. Tive dois prenuncios de estoria aqui que poderiam ter dado certo. Um, que ja vos falei, que foi o que mais mexeu comigo. E' alguem que eu investi, que tambem investiu em mim, que tivemos momentos muito agradaveis juntos, varias datas festivas (Natal, Revéillon, Carnaval, Dia dos Namorados, aniversario...), mas que depois a relaçao por si sò se transformou. Nao quero culpa-lo: quem investiria em uma relaçao com uma pessoa de outro paìs que nao sabe se quer ficar ou ir embora? E' tambem uma questao de se resguardar. Pois é, eu era - e sou - indecisa em relaçao a isso, e ele se protegeu. Entendo perfeitamente. A outra pessoa, parecia um script di Hollywood, com direito a corrida atras do trem e tudo. Nos conhecemos na Fontana di Trevi. Existe lugar mais romantico? Otimo, atencioso, fez todos os meus gostos, mas...nao dà! Falo ainda com os dois. Nao os vejo mais, mas eventualmente falo com eles. Mas sabemos que nao vai adiante. Sentimos. Daì, surgiu minha fase voluvel. To na fase voluvel. O problema é que, como nao sou voluvel, nao me sinto completamente à vontade. Mas, de repente, preciso passar também por essa fase. Sei là... O primeiro, me disse que sou muito "brava", se fez de amigo, me aconselhou... Mas, ate onde sou mesmo "brava"? E a fase barulhenta continua... Escrito por Fê Colares às 10h37 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O cinismo... To com medo de deixar de acreditar. Deixar de acreditar em geral. Deixar de acreditar no amor. Nao quero ser cinica como estou me tornando. Mas ainda ha uma chance pra mim: enquanto revejo esse filme maravilhoso, mas havia esquecido esse curta, me emociono... Sei là, quem sabe ainda ha um jeito de eu voltar atras. Ah! O filme é "Je t'aime, Paris", e o curta é "Place des Fetes".
Escrito por Fê Colares às 17h07 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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