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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"Há coisas que devem ser feitas pessoalmente" Ontem vi um filme já de alguns anos, bastante aclamado pela crítica, mas que eu ainda não tinha visto. O nome é "Dogville", e o diretor é Lars Von Trier. Bem, é um filme bem interessante, apesar de longo, porque nos faz pensar... Entre várias temáticas abordadas, retrata um pouco aquela temática que tanto agrada aos petistas ("o homem é produto do meio"), se bem que agora eles nem mais podem culpar a pobreza como causadora da criminalidade, porque se têm uma coisa que não são é pobres...hehehehe. Bem, mas voltando ao filme, ele tem um final com bom-senso, embora eu não concorde integralmente com o rumo dos acontecimentos. Sim, mas em um dado momento, um dos personagens exclama essa frase-título, e eu fiquei pensando... Há muito tempo penso assim, dessa forma. Realmente, algumas coisas não devem ter intermediadores. Não dá pra imaginar um "eu te amo" de primeira, por email, né? Nem mesmo dizer umas verdades àquela pessoa que tá precisando ouvir via msn... Imagina acabar um namoro por telefone? E um noivado por post-it (se bem que isso ocorre na vida real, baby!!!)? Ou quem tem instinto assassino, por que "mandar matar"? Ora, se eu sou culpada, se eu vou pro inferno do mesmo jeito, que diferença faz se o dedo que aperta o gatilho é o meu ou não? Pôxa, e vou me privar da catarse que deve ser expulsar toda raiva na hora da adrenalina??? Bem, mas tem coisas que eu posso delegar, com cer-te-za: a faxina da casa, o preparo da comida... imagina eu, que não sei cozinhar NADA tendo de comer o que faço? Jamais!!! Falando nisso, lembrei do que tava falando hoje com Domany, minha amiga casada há alguns meses e quase mamãe (Gabriel tá quase nascendo). Estavámos falando de casa, móveis, essas coisas, e eu que agora tô na fase de namorar a porcelana, as panelas, as toalhas, os móveis... é que embora ainda está relativamente longe o dia de morar só, mas estou vendo essas coisas para me objetivar. Bem, mas estávamos falando nisso, e eu lembrei que na minha fase "quase casada", eu estava, alguns dias, me esforçando tanto nos afazeres domésticos, meu ex nem queria que eu encarnasse a doméstica, mas eu queria testar, provar a mim mesma... de repente, uma tarde, ele chega do trabalho e tenho um acesso de choro. Gente, eu havia percebido, naquele momento, que jamais faria o gênero "mulherzinhaesperandomarido"... me achei a última das mulheres... acreditam? Achei que jamais seria uma boa dona-de-casa, e ele é quem me consolava... Daí, fico pensando: que lobotomia é essa que fazem em nós mulheres? Em que momento da vida somos cirurgiadas? É ainda na infância, com os brinquedos de casinha, de bebês, ou é já na vida adulta com as cobranças sociais? Eu, meu povo, eu, alguém que nem tem jeito com essas coisas, alguém extremamente independente, que abomina esses conceitos sociais, surtei um dia. Tá certo que o surto foi passageiro, mas é incrível como nos cobramos, em algum momento da vida, em relação a isto. Entretanto, hoje sei que serei uma dona-de-casa excelente...sozinha!!! Que venha logo o meu pequeno studio... e bagunça? A bagunça eu faço e peço pra alguém desfazer... Beijos... Escrito por Fê Colares às 19h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Mais um mês se vai... Fim de fevereiro. Graças a Deus, mais um mês!!! Ufa, tô louca pra que os dias passem, pra pagar logo essa carga horária e terminar logo essa residência. Embora eu já devesse estar no hospital, e estou aqui, escrevendo, mas devo seguir adiante. Falta pouco! Engraçado é que, graças a Deus, não tô cansada. Essa minha pressa não é cansaço físico, é cansaço de ser apenas "mais uma". Muitas vezes somos vistas, na residência, como mão-de-obra barata. Essa semana me abusei porque tínhamos uma reunião sobre as atividades teóricas e saímos todas. Quando retornamos, nosso "staff" (por favor! tem cada staff que só a graça mesmo...) reclamou. Meninos, vocês não têm noção! Fiz força, muita força, pra ficar calada, porque se eu falasse, podem ter certeza de que iria falar com força, com raiva, pois nós estamos ali para aprender. O serviço tem de funcionar sem o residente. E sabem, no mesmo dia, quando tava falando com um paciente, ele pensava que eu era residente porque morava no hospital. Aff! Minha paciência tá curta, muito curta. Não tenho paciência com a ignorância! No fim das contas, fomos, mais uma vez, as "tapa-buraco", pois faltou um bocado de gente e fizemos serviços que nem era pra fazermos. Mas, a minha chefe, acha que não... Please! Só que como eu não preciso fazer média com ninguém pra arrumar emprego, falei mesmo ontem a verdade... Dá não, queridos, pra baixar a cabeça e aceitar, até porque ninguém vai querer descontar da minha carga horária as horas a mais que fico lá não... Se eu fizer as contas, já dialisei mais de 48 horas de graça... e minha chefe não me abonou não... Assim, deu minha hora, saio! Pode explodir o setor! Foi mal o desabafo... Mas tô sem tempo até de blogar, e depois ainda sou injustiçada??? Por favor!!!! É melhor que o "staff" vá aprender a falar português do que ficar se preocupando se vamos ou não fazer o serviço dele. Eu quero ver se a residência acabar... o que vão fazer???? I have to go! Beijos... Escrito por Fê Colares às 12h46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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