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"Fernanda, sossegue!..."

"... o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão..."

Drummond de Andrade

 

Eu tava hoje com vontade de chocar ou, ao menos, provocar uma reação diferente. Daí, postei umas fotos no orkut meio libidinosas, coisa que não é do meu feitio...hehehe!!! Pois é, pois não é que deu deu muito o que falar??? Então, e abaixo das fotos, eu pus um pedacinho só deste poema...

Ah, o poema... ah, Drummond... como será que ele tava se sentindo, o que é que ele tava pensando quando escreveu este clássico??? Sim, porque pode até nem ser a poesia mais "clássica" dele, mas que é bem a realidade... ah, isso é!!!

Cada dia mais eu me convenço de que não existe "a pessoa" da tua vida, mas, "as pessoas" ("... há tantas pessoas especiais" - grande Vanessa da Mata!!!). E isso, claro, vai depender de como está a tua vida, isto é, as pessoas se adequam ao teu momento de vida. Assim, em um momento aquele determinado ser jamais poderia estar lá, e em outro... é o adequado. Claro que, isto, depende de afinidades. Ou, como canta  "O teatro Mágico" ("... os opostos se distraem, os dispostos se atraem..."), depende apenas da disponibilidade?

Bem, no momento estou acreditando em algo que achava bonito, mas apenas poético. É naquela frase final do Soneto de Fidelidade (que, na verdade, já virou clichê), "... que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure." Uffa!!! As relações interpessoais, todas elas, têm o seu prazo de validade. Bem, não necessariamente vão acabar, totalmente, mas vão se transformar, o que não deixa de ser uma forma de acabar, né??? E isso não é ruim. Como a natureza nos ensina, é preciso abandonar determinadas situações para abraçarmos outras. É a vida, baby!!! 

Então, por que é que temos a tendência de ver essas situações como ruins depois que acabam??? Não é porque acabou que temos de tirar o mérito. Foi bom, povo, muito bom. Acabou porque era pra acabar mesmo. A monogamia, por exemplo, é completamente possível (e desejável, para mim), mas nada te diz que deve haver apenas uma relação monogâmica. Nesse mundo de meu Deus, tão grande, por que deveria haver apenas uma?? Por que é que depois que acaba, temos a idéia equivocada de dizer: "ah, fulaninho não me amou...". Besteira!!! Nada de cantar "Ciranda, cirandinha"... Fulaninho amou sim, mas Fulaninho mudou, você mudou, o mundo mudou, a economia mudou, o Congresso Nacional mudou... por que é que a relação teria de permanecer a mesma? É claro que também não vou agora basear meu relacionamento na oscilação do barril do petróleo - se bem que, em determinadas situações, até que dá pra se embasar neste parâmetro (o que dizer dos amores distantes? hehehehe). Mas, nada como "... vivê-lo a cada vão momento". Eh, Vinícius!!!

"O Anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou..."

 


 



Escrito por Fê Colares às 23h23
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