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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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Da (in)fidelidade "...Vivo o momento em que as sombras já esclarecem, e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens. [...] Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível. [...] Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão... Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador, que destrói tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada. [...] Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor, como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago. Simone de Beauvoir dizia bem, que temos 'amores necessários e amores contingentes ao longo da vida'. [...] É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo. Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo!" Trechos da carta de Danielle Mitterand, esposa do ex-presidente francês François Miterrand, ao povo francês, após ser criticada por admitir a presença da amante e da filha bastarda no funeral do esposo. Rapaz, essa mulher é, no mínimo, corajosa!!! Admitir publicamente que foi traída, e ainda aceitar languidamente... é ato de desmedida coragem! Todos dizemos que jamais aceitaríamos uma traição. Na hora em que acontece, será que não aceitaríamos mesmo? Claro que, na teoria, para a maioria é uma atitude inadmissível. Mas, na prática, o que fazer quando somos traídos, ou quando estamos no lado oposto??? Certamente existem vários tipos de traições. Pode-se trair um amigo, um parente, a sua consciência... Mas, aqui, estou falando daquela traição mais comentada, aquela de um relacionamento de cunho erótico-emocional. Será que, como cantava Raul Seixas, "...amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade..."? Será que "...um amor a dois profana o amor de todos os mortais"? Não, não sei. Na verdade, sou adepta da monogamia. Até por uma questão de praticidade. Imaginem: se uma relação só já dá trabalho, precisa de investimento (de tempo, de afeto, etc.), imagine mais de uma??? E o desgaste emocional que deve ser esconder a todo momento uma relação da outra? Não!!! Not for me!!! Mas não vamos ser hipócritas e fazer de conta que "o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes". Tem um filme que gosto muito, um blockbuster, chamado "Closer", porque retrata bem isso: o quanto pessoas normais podem sim ter diferentes afinidades. E elas bem que não se podam muito nesse sentido. Claro que a fidelidade depende de escolhas, e não apenas de sentimentos. Como diria uma personagem deste filme, quando descobre que foi traída: "Oh, como se você não tivesse escolha? Existe um momento, existe sempre um momento: 'Eu posso fazer isso, eu posso me render a isso, ou eu posso resistir'.Eu não sei quando foi o seu momento, mas eu aposto que houve um". It's true!!! Eu prefiro ainda estar no meu pensamento romântico. Não tão romântico como antes, onde acreditava piamente naquela estória de "amor único". Acredito em muitos "amores únicos". Como diria ainda Raul Seixas: "...Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez!" Beijos. Escrito por Fê Colares às 11h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Quando mais nada resistir que valha a pena de viver e a dor de amar E quando nada mais interessar (nem o torpor do sono que se espalha) Quando pelo desuso da navalha A barba livremente caminhar e até Deus em silêncio se afastar deixando-te sozinho na batalha Arquitetar na sombra a despedida Deste mundo que te foi contraditório Lembra-te que afinal te resta a vida Com tudo que é insolvente e provisório e de que ainda tens uma saída Entrar no acaso e amar o transitório." Carlos Pena Filho Sem mais para o momento. Tô meio down hoje. Escrito por Fê Colares às 10h00 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Há mentira na aparência do que eu sou, e há mentira na aparência do que você é??? " Vou te contar que você não me conhece E eu tenho que gritar isso, Porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você. Ao fim de tudo, você permanece comigo, Mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira, Um abismo maior nos separa. Você não tem um nome; eu tenho. Você é rosto na multidão, E eu sou o centro das atenções. Mas há mentira na aparência do que eu sou, E há mentira na aparência do que você é, Porque eu não sou o meu nome, E você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui Busca chegar no limite possível de aproximação, Através da aceitação da distância Ou do reconhecimento dela. Entre eu e você Existe a notícia que nos separa. Eu quero que você veja a mim, Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada Me denuncia e te espelha. Eu me dilato, Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras Com a as quais você me veste." Fauzi Arap A mentira existe desde o "início dos tempos" - a Bíblia está aí para confirmar. Nos preceitos cristãos, a mentira é inadmissível: é coisa do Maligno (isso é fato indiscutível!). Nos preceitos morais, a mentira também é vilã. É claro que nesta onda de inversão de valores, isto também é uma coisa negociável. Mas, todos nós, em algum momento, não mentimos??? Eu hoje me deparei com isso porque me peguei mentindo. E uma coisa boba: minha idade. Gente, eu estou perpetuando ações antes abomináveis - eu jamais me imaginaria, há alguns anos, mentindo a idade. Pois bem, há alguns dias um amigo me disse: "...você tem... 28 anos?". E eu: "É, 28". Pronto. Só isso. Mas é mentira! Eu tenho 29 anos (pronto! Admiti para o mundo!). E por que cazzo eu menti??? Não tem explicação plausível!!! Eu não tava fazendo um concurso com idade máxima de 28, não era uma entrevista para preencher o anúncio "procura-se esposa com até 28 anos". Por que cazzo eu menti??? Como é que um ano de diferença faria diferença em uma relação de amizade, ou em relação alguma? Seria a tentativa de perpetuar a juventude, há tanto valorizada, e, nos dias atuais, superdimensionada - juntamente com todos os outros atributos superficiais? Não acredito!!! Eu, que quero ser tão "politicamente correta", que não jogo lixo fora do lixo, que apregôo aos quatro cantos do mundo a necessidade de não se deixar corromper pelo sistema atual... eu sou tão e miseravelmente igual. Mas alguém pode me dizer: "Pôxa, mas você só 'maquiou' a idade. É tão grave?". É, é grave sim, pois não existem mentiras maiores e mentiras menores. Como diz o ditado, "quem é fiel no pouco, é fiel no muito". Menti sem nem mesmo uma razão lógica. E se eu tivesse uma razão lógica, não mentiria sobre algo mais grave? Cadê a minha formação familiar? Cadê a virtude pessoal? Como diria Álvaro de Campos, "...deitei fora pelas janelas...". Ao mesmo tempo, eu me pergunto: não somos todos atores, de alguma forma, na vida??? A vida não funcionaria, algumas vezes, como um grande teatro? Não tô falando aqui que é permitido - há de se ter cuidado para não se transformar em um mentiroso contumaz -, mas, sobre que coisas não mentimos, mas deixamos que as pessoas concluam por si mesmas, e não intervimos nas conclusões? Até onde somos responsáveis pela idéia que fazem de nós??? Hoje eu tenho mais perguntas do que respostas. Não que isto seja motivo para as mais altas "crises de consciência" (hehehehe), mas que é motivo para se pensar... ah, isto é! E, amigo. Não menti sobre mais nada. Ao menos, por enquanto - quem me garante que não o farei novamente? Perdoada??? Beijos a todos. Especialmente àqueles a quem deturpei a idade. Escrito por Fê Colares às 11h53 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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