![]() |
Intermezzo | |||||||||||||||||||
|
No alarms and no surprises É noite. Cai a chuva em Recife, enaltecendo todas as incongruências de uma cidade que amo, mas que, como só ela, sabe ser incongruente quando cai a chuva. Enquanto cai a chuva, escuto Radiohead, e o tom melancólico dilui os sentimentos das últimas semanas, e me dá uma paz que não sei explicar. Talvez porque é um raro momento em que estou sozinha. O estado de solitude, ao contrário do que ocorre com a maioria das pessoas, não me assusta. É um momento onde posso realmente me achar. Enquanto passa o tempo, recordo os últimos acontecimentos. Nada de muito sério, ou muito motivador (acho que seria desmotivador), ou muito bom... Mas, em pouco mais de três semanas, conheci pessoas, desconheci outras, reencontrei alguém, me dei conta de que perdi várias. Em poucas semanas, passei por uma espécie de entorpercimento, e repentinamente voltei a ficar sóbria. Tive problemas no trabalho, me senti injustiçada, duvidei do que queria, me senti impotente, sem lugar, me confraternizei com amigas preciosas, voltei a me sentir mulher, me vi bonita de novo, reconheci o meu valor, aceitei minha idade, minha celulite, meus defeitos, os meus fracassos não como fracassos, e sim como degraus para chegar a um lugar que mereço, e que está lá, esperando por mim, esperando apenas que eu esteja pronta para recebê-lo como meu. Em pouco tempo, os sentimentos se transmutaram, e continuam a fazê-lo. Mas não sinto dor, ou falta. Nada. Aceitei até o fato de algumas das minhas amigas que estão namorando se comportarem como casadas, daquelas que não "precisam" de amizades após o casamento. Fazer o quê? Como diria Caetano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Aceitei o passo das coisas, o peso dos anos, o êfemero da vida, o eterno no pouco que deve ser eterno. E isso é que faz a existência ser válida. "... No alarms and no surprises No alarms and no surprises No alarms and no surprises, please Such a pretty house, such a pretty garden No alarms and no surprises..." Radiohead Escrito por Fê Colares às 21h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos." Clarice Lispector Escrito por Fê Colares às 18h08 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Cada um vai com quantas patas lhe convém" Algumas coisas ocorridas nas duas últimas semanas me fizeram pensar nesta frase. Às vezes, temos uma atitude com as pessoas e nem sempre a recíproca é verdadeira. Daí, vem a decepção. E ninguém está livre de decepcionar ou de ser decepcionado. Entretanto, é importante nos dar conta de que não é porque convivemos com as pessoas que elas têm de ser nossos pares. O que dizer quando acontece de ter mais afinidade com um amigo do que um irmão? A Bíblia mesmo reafirma esta possibilidade. Mas, é sabedoria saber quem é teu par, e quem não é. Tive sorte. Ou melhor, Deus me abençôou. Posso dizer que tenho amigos. Algumas vezes, pessoas que jamais imaginei, me ajudaram. Outras, que tinha por certas, me decepcionaram (vide meu ex-noivo, que mais do que meu noivo, era meu melhor amigo). E existem aqueles que jamais alcançarão este posto. Estão ali nas contingências da vida. Apenas estão. Não sou uma espécie de embaixatriz da Estética. Até porque, se é a Estética como ramo da filosofia - não estou me dedicando a esta; se é a estética como vulgarmente é conhecida... ainda não me considero um ícone (hehehe). Portanto, por que vestir esse personagem?? Cada pessoa é livre para pensar como quer, para viver como quer, para amar quem quer, para fazer o que quer. Claro que a burrice incomoda! Sempre disse que o meu maior afrodisíaco é a inteligência. Por exemplo: os meus ex-namorados, poucos eram belos - esteticamente falando; mas, nenhum, absolutamente nenhum, era contrário àquilo que considero inteligência. Todavia, eu sou eu. E não sou o centro do universo - graças a Deus!!! Assim, tenho me deparado com as coisas. E sei que Deus permite essas coisas para o engrandecimento pessoal. Ele está amaciando o barro. E como dói ser amaciada. Ainda bem que, enquanto amacia, ele me dá verdadeiras bênçãos na vida (vide Humberto, meu querido amigo...). No mais, vou vivendo, dia após dia, e pedindo a Deus a sabedoria para vivê-los bem. Muito bem. "Não importa quantas patas você tem, se você sempre pode ir além Duas, quatro, seis, oito, zero ou cem Cada um vai com quantas patas lhe convém. Pode ir pulando como um sapo, ou deslizando como um trem De carona vai o carrapato, de gatinho vai o neném. O vento leva o pólen, a vida traz o porém Todo mundo vai, todo mundo vem Com as patinhas e as idéias que tem!" Música cantada por Vander Lee (desconheço a autoria).
Escrito por Fê Colares às 14h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
|||||||||||||||||||
![]() | ||||||||||||||||||||