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Afastamento Emocional

Acho que estou me tornando insensível. Sério! Não que isso seja necessariamente ruim. É muito bom perceber que tenho um certo afastamento emocional de pessoas, de coisas, de fatos. Mas sabe o que é ruim? Infelizmente não posso ter o afastamento de tudo. É involuntário. De algumas coisas, pessoas, fatos...beleza! Outros (as), ainda não!

Bem, mas para parar de teorizar e de encher esta blogagem com chatices existenciais sem nexo, vou emoldurar algumas atitudes que endossam esse meu noivo jeito. Por exemplo: agora mesmo acabei de ver um filme beeeem triste. Sabe aqueles dramalhões em que todas as mocinhas românticas, e até mesmo as não-muito românticas, choram rios e rios de lágrima? Aqueles lá, que Hollywood produz, certo de, senão ter um grande estrondo de bilheteria, ao menos ter um público certeiro? Tipo "Um amor pra recordar" ou "Diário de uma paixão"? Pois bem, deste tipo mesmo. Certamente, se Suely, lá de casa, visse este "O amor pode dar certo", todos esses outros citados antes cairiam de posto na sua preferência! Gente, se alguém nunca viu, e gosta do gênero, vá lá ver! Então, a minha amiga, Vanessa, que mora aqui na casa comigo, menina, chorou tanto tanto, que pensei que a bichinha ia desidratar e eu teria de fazer um Ringer Lactato pra hidratá-la (kkkkk!). Não, mas não estou dizendo isto como crítica não! Eu mesma, nos idos tempos, era igualzinha. O que dizer de Titanic? Cara, mas péra. Vou ter de abrir um parênteses aqui falar um pouco do mico de ver Titanic naqueles anos...

Então, em plena metrópole (falo do Recife, diga-se de passagem), ver o filme Titanic era uma aventura. O cinema do Shopping Recife era ainda no estacionamento do shopping, e eram apenas três salas. Putz! Vocês não têm noção (ou têm? em qualquer lugar do Brasil foi igual?)! Era tanta gente, mas tanta gente, que você tinha de comprar o ingresso com antecedência. Fui comprar o da minha irmã com horas de antecedência, e ainda passei umas das maiores vergonhas da minha vida, quando a minha "mãe" resolveu fazer um dos escandalozinhos básicos (típico dela, diga-se de passagem) com uma senhora na fila. Mas isto é motivo para outra blogagem... ou melhor, isto nem é motivo para blogagem...kkkk. Mas, retomando: o fenômeno Titanic foi um dilúvio na vida de muitas e muitos também. Lembro de ter chorado horrores, do alto da minha adolescência, quando a Kate Winslet descobre que o seu Leonardo "Jack" Di Caprio havia morrido. Lembrando disto, reafirmo a minha idéia de que Hollywood é a causa primordial, perdendo, talvez, para os Contos de Fadas, para a lobotomia emocional feita em nós mulheres...kkkkk!

Ah, mas outro momento inesquecível de chororô televisivo (e esse, de todos os que lembro, ganha disparado!) foi quando Mark Greene morre em ER, se não me engano, na oitava temporada. Gente, eu nunca chorei tanto por filme, livro, novela, ou algo desse tipo, em toda a minha vida. Eu coloquei uma almofada na boca para abafar os meus soluços. E quando o meu cunhado, em um misto de susto e gozação, veio saber o que era, eu dizia: "...é Mark, Júnior, é Mark que morreu". Mark? Parecia meu amigo de escola...hehehe! Até hoje, quando lembro, ou escuto "Over the raibown", lembro disto.

A lista não pararia por aí... Mas por que estou falando sobre isto?

Estou falando porque hoje vi este filme, e sem dúvidas, em outros tempos, aff! Quero nem pensar! Pior que Vanessa, na certa. Teria ido até pro Voluven - o Ringer seria fichinha...hehehe. Mas, não. Não chorei em momento algum. É claro que o filme todo me tocou, mas não chorei, e nem mesmo estava prendendo o choro não! Não chorei mesmo, e ponto. Em um  momento mais "tocante", digamos, eu olhei para a minha amiga, che chorava copiosamente, e disse: "Oxe, Nessa. Pensa que é só um filme!". Aff! Isso seria insensível mesmo, racional, ou uma tremenda seqüela emocional? kkkk...

O bom de tudo é que realmente tô mais desapegada. Beeeeem mais. Embora ainda sinta o peito dilacerado, eventualmente, eu hoje consigo manter um afastamento emocional. Nem sempre (sou sangüíneo, lembram?) é possível, mas tento. O bom seria que eu tivesse o mesmo tipo de sentimento por tudo ou todos. Mas não! Acho que a minha atitude atual é pelo medo de ser boba. Mas qual é a maior bobagem? É se podar?

Bom, não sei. Essa resposta definitivamente não posso dar. Só o tempo. Deus. Boh.

Mas o que sei é que tento me resguadar mais.

 

Beijos a todos.

 

 



Escrito por Fê Colares às 00h00
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