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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"A vida tem sons que pra gente ouvir precisa aprender a começar de novo..." Hoje é um dia feio. Chuvoso, muito frio. Me faz lembrar dos filmes passados na Inglaterra - sei là porque pensei em Inglaterra, quando poderia ser qualquer lugar chuvoso - talvez, pelo tom cinza do céu. Falando em tom cinza, sò aqui realmente entendi o sentido da frase de Renato Russo, "... veja o sol desta manha tao cinza, a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos...". Todavia, mesmo sendo definitivamente um dia feio, também é um dia bonito. Enlouqueci de vez? Nao! E' que um dia assim nos faz pensar - quando temos tempo pra pensar (e isso é importante dizer na minha atual circunstancia...kkkk), nos faz pensar em tantas coisas. Um dia assim nos deixa mais introspectivos. Nao tristes, mas mais sensitivos em relaçao a nos mesmos. Eu hoje nao trabalhei. Sou "libera", como diz a lingua italiana, e agora entendo que realmente é um dia "livre". Fui ao supermercado, e tive vontade de dirigir pelos varios locais incrustados no recondito do nordeste italiano, mas como estou sem habilitaçao :( Hoje eu queria ver o nada, sò as casas, as varias casas lindas ao longo das estradas, que parecem nao serem habitadas... Alguém pode dizer que é triste isso, e na verdade o é, mas hoje, um dia triste, seria redundante - se transformando em uma coisa bonita, apenas. Ainda nao comecei a fazer o meu objetivo de quando cheguei aqui. Apenas amanha começo a viajar mesmo. Conheci algumas cidades por perto, como Udine, Pordenone, sou jà adepta de Veneza - a cidade ja me parece familiar, embora hoje estou em uma cidade bem pequena hà setenta quilometros da "Serenìssima". Imaginem, eu, uma pessoa extremamente cosmopolita, tendo de me adequar a uma cidade pequena - eu que odeio cidades pequenas. Mas é assim que melhoramos, ou, ao menos, aprendemos na vida. Em apenas tres meses na Italia me sinto mudada. Ainda tenho muito pra melhorar. Muito mesmo. Nao que eu fosse uma pessoa ruim, mas era disso que eu sentia falta. Era disso que eu sentia necessidade. De um estimulo externo forte, que me fizesse ter de mudar certos paradigmas. Meu povo, nao é facil! E' extremamente dificil. Mas precisei sair do "lugar-comum", pra, a duras penas, ter de melhorar em certos aspectos, como, por exemlo, ser mais tolerante. Quem me conhece, sabe que a tolerancia nunca foi meu forte. Nem comigo. Mas aqui, ou se é tolerante, ou voce nao vive. E eu nunca fui de desistir. O ritmo de trabalho é muito diferente. Mas agora estou mais acostumada. Sobre essa parte, nao quero comentar. Sinto falta dos meus sobrinhos. Dos meus amigos. Mas, de verdade, ainda nao senti uma saudade louca, ou vontade de voltar pra casa. As vezes bate o "banzo"...kkkk, mas dai, voce olha e ve que a escolha foi feita, e o retorno esta aì, todos os dias, aos seus olhos. E' a possibilidade de, além de conhecer outra(s) cultura(s), voce se conhecer. E' aquilo que fala os varios filmes, livros, frases, das pessoas que veem a viagem como a viagem para dentro de si. E' essa possibilidade assustadoramente maravilhosa de se saber sò, voce e Deus. Entretanto, como diz o ditado, "nem tudo o que reluz é ouro". E' importante uma experiencia assim tambem pra se valorizar algumas coisas antes desapercebidas. E' por isso que acho que todo mundo deveria morar fora do paìs, um tempo, se possìvel. Vou assim... to vivendo mesmo o Carpe Diem... Quero trabalhar - afinal de contas, é atraves desse trabalho que vou pagar as contas, inclusive as viagens que quero começar a fazer. Vou viajar. Vou beijar na boca de quem quiser realmente me beijar na boca - e que eu queira também, claro! Vou ser autodidata - ao menos em Enfermagem, nao teria como ser diferente ;) Vou esperar o que Deus me reservou. Se for voltar, no ano que vem, voltarei feliz. Pra novamente recomeçar. E eu... mesmo se quase aos trinta, eu estou sempre recomeçando. Beijos. Escrito por Fê Colares às 13h56 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: ´eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também´. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento." Arnaldo Jabor Escrito por Fê Colares às 13h22 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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