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Nao ha perdao para a chata

Cansei desse papo de que nao me reconheço mais. Estou ha meses dizendo isso pra mim, e isso nao é salutar, porque nao me impele a ver as coisas como realmente sao. As coisas... como diria o meu amado, e preferido, e idolatrado (salve, salve!) Drummond de Andrade, "...que tristes sao as coisas, consideradas sem enfase". E' isso aì! Nao quero mais me lamentar - embora as esteja olhando sem enfase. Mas sei que nessa fase de nao-lamentaçao, um pouco "carpediemniana", isso inclui tambem nao pensar muito, inclui estar um pouco entorpercida, ou, como cantaria Zeca Pagodinho, devo "...deixar a vida me levar". Cansei de ser chata. E se lamentar é ser chata. E "nao ha perdao para os chatos", né, Cazuza?

Talvez eu esteja metendo os pes pelas maos. E', talvez sim. Mas tambem todo mundo precisa cometer algumas loucuras na vida, nao? Sempre fiz as coisas mais ou menos certas. Apesar de escolhas erradas (leia-se profissionalmente, principalmente, e -  quem sabe? - ter vindo morar na Italia), sempre fui muito dentro dos padroes, digamos. Hoje, nao que eu queira o escandalo, mas quero tirar proveito do que disponho em maos. E o que disponho? E' estar num lugar no meio do nada, mas perto do mar, no verao? Entao, vamos pra praia! E' ter homens diversos, de idades diversas, me cortejando? Vamos là: vejamos quem corteja melhor, quem me ganha - nem que seja pra terminar essa temporada aqui. Nao que eu realmente goste disso. Que eu realmente queira dar pra qualquer um - nem estou fazendo isto...hehehehe. Mas, às vezes as circunstancias nos impelem pra determinadas coisas. Sempre fui a namoradinha. Sempre. E aqui continuei a ser, mas, pelo jeito, nao era o momento, nao era a pessoa, nao tinha de ser.

E', porque quando nao tem de ser...nao adianta reza, choro, nem mesmo a dança da chuva. 'Cabou-se. Vejam eu: eu tenho residencia, sempre fui uma profissional excelente, falo o italiano bem - às custas de anos de estudo, sou uma (de duas) das primeiras que a empresa manda do Brasil. Onde estou? Em Fossalta di Portogruaro. Alguem ja escutou falar? Nao? Nem eu... Agora, descubro que a empresa tem (ja tinha antes?) a possibilidade de mandar profissionais para Milao, em um centro especializado em cardiologia, onde se pode fazer ate especializaçao em cardio. E por que cargas d'agua eu estou aqui? Pra fazer curriculum? Que curriculum? Trabalhando em uma casa de repouso? Aprendendo o que? A esquecer o que aprendi?

Minha amiga Larissa diz que é destino. Que deve existir uma razao. Nao quero mais buscar razoes. As vezes uma razao nos alenta. Fiz isso nos primeiros meses. Era porque eu tinha de ser mais humilde. Mais madura. Mais generosa. Com menos pré-conceito. A aprender a dividir, a aceitar as diferenças. Foda-se. Nao quero mais achar razao pseudofilosofica pra estar aqui. Nao tinha de passar por isso nao. Pra estar em cidade pequena eu tinha continuado em Surubim, ou ia me enclausurar em Mamanguape, aquele fim de mundo. Mas eu estou na Italia. E quero aproveitar.

Bem, mas eu disse no começo, basta de ser chata. Entao, prometo a mim - e ao meu blog, que nao me lamento mais - ao menos da minha condiçao profissional no momento. Esse foi o lamento-despedida. Por isso tinha de ser grande.

Mas, proprio por isso, preciso de compensaçoes. Nao é a vida à base das compensaçoes?

Entao, eu mereço sim meter os pes pelas maos, ao menos um pouco, nao?

Por exemplo, dei um trago em um cigarro de maconha - que juro que nao sei se era maconha mesmo, escutando Bob Marley. "Don't worry about a thing, 'cause every little thing gonna be all right". Foi tao rapido que nem pude contemplar o momento. Adolescente, eu sei. Mas e daì se fiz trinta? Quero acreditar na musica. Every little thing gonna be all right!

Vejamos.

Beijos a todos.

 

 

 

 



Escrito por Fê Colares às 13h27
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