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"...voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..."

É isso mesmo, to de volta. Depois de um ano fora, voltei pra casa. E to tao bem, povo! Graças a Deus!

Eu amo a Italia. Amo mesmo. Nesse tempo todo que nao escrevi, eu me mudei pra Milao, morei la dois meses e um pouco. Ali sim é Italia. Trabalhei em uma UTI Coronarica, fiz algumas novas amizades, fui ao cinema, a livrarias, a cafés, a museus. Foi pra isso que estava lá.

Mas aí voces podem me perguntar: "...se era tao bom, por que voltou?". Porque eu descobri uma coisa inimaginável antes: que eu sou uma que provavelmente nao pode morar pra sempre longe do meu lugar. Imagina, eu, a "cidadã do mundo"(eu me achava...kkkk), a cosmopolita, etc e tal. Risos. De verdade, nao sou nacionalista, bairrista, mas a cultura é algo entranhado. Existem pessoas que conseguem sim viver pra sempre longe. Eu nao.

Nao que eu vivia com ataques de banzo (kkkk). Mas, a um certo ponto, faz falta sim determinadas particularidades, embora a Italia continua havendo um grande pedaço do meu coração, e sei que as sensações que vivi lá...disso, eu sempre sempre sentirei falta. Sim, sensações. Vocês sabem, devem já ter percebido, eu sou toda sensações. E um tempo longe, sozinha, é extremamente rico internamente. Sempre sentirei falta do frio do outono, do cheiro que tem o ar quando chega o outono (deu pra perceber que é a minha estação preferida, né?), das ruas de Milao, de coisas que eu  nem teria espaço se fosse enumerar aqui. Mas hoje nao quero mais só sensações. Quero um pouco da vida prática. Quero o que antes sempre critiquei: o trivial, a praia no fim-de-semana, o feijao com arroz. É incrível como as idéias podem mudar, não?

Nao sei se quero mais sorver cada gota de emoção. Lá, eu fiz isso. Vivi intensamente todos os meus dias. Todos.  Me apaixonei duas vezes. Saí deixando o meu coração lá. Mesmo apaixonada, resolvi voltar, e o legal é que foi uma decisao racional, muito bem pensada. Me despedi do meu amado chorando, à la filme de Hollywood. Mas fechei o ciclo. Fechei com o meu ex, finalmente, pois nos encontramos pra conversar. E agora to pronta pra seguir adiante. Agora posso recomeçar realmente.

Tô me sentindo livre. Sim, livre. Não sei explicar a sensação. É uma leveza no coração. É a leveza de ainda nao saber como vai ser, mas saber que será tudo bem, que a partir daqui vou construir uma coisa sólida, porque me sinto forte. Eu, sozinha, me sinto forte. Acho que isso è maturidade, não?

Entao, depois eu escevo mais. Quem sabe agora nao me torno mais assídua?

Beijos a todos.

Música do dia: Emoções - Roberto Carlos.



Escrito por Fê Colares às 11h30
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