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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"...quando bate a saudade eu vou pro mar, fecho os meus olhos e sinto você chegar..." Acabei de ver o último episódio de ER. Acabei d ver Carter. A partir de agora, nao tem mesmo mais ER. E em Grey's Anatomy, essa semana, teve o casamento da Izzie com o Alex. Claro que chorei, seja em um que no outro programa. E também revi alguns amigos. Ainda me faltam vários. E engordei quase 1 kg e emagreci quase tudo de novo. E comi cuscuz com queijo, tapioca, feijao... várias e várias comidinhas que sei que não deveria. E tive milhões de crises alèrgicas que em um ano de Italia não tive. E não escrevi para várias pessoas, vários amigos, que deixei na Itália, mesmo sabendo que deveia fazê-lo, e que vou faze-lo, mas que no momento eu não sei bem o que dizer. E comprei um caderno para escrever as receitas das comidas gostosas que minha irmã faz, que minha tia faz, mesmo sabendo que quando eu estiver sozinha não vou cozinhar aquelas coisas por um grande risco de virar um boi...kkk. Mas eu escuto a voz do Paolo me questionando sobre quem cozinharia para os meus filhos, mesmo sabedo que há uma possibilidade real desses filhos não existirem. E estou me repetindo... as frases, as palavras...o teclado do computador que nao ajuda, e tenho de martelar as letras, se quiser que funcionem. E engulo os acentos, acostumada que era com o teclado italiano, e mesmo com o teclado normal ainda nao lembro de colocar, e me torno uma analfabeta..hehehehe. E cada dia mais esqueço o italiano. Não era a minha intenção, mas é a ordem natural das coisas. E leio Lispector. E leio Baricco. E alterno os dois, como me alterno com o que fui. E faço corrida na Av. Boa Viagem, pra tentar dar um viço de vinte e poucos anos às minhas carnes de trinta. E escuto Jovanotti, que no MP3 me traduz, e me lembra que eu "...sei que não sou só, mesmo quando sou só..."* e que "...por mais que eu me identifique com os batimentos de um outro, será sempre através desse coração..."*. Pareceria uma contradição, mas não o é. E o mar... o oceano mar... hoje tem um outro significado pra mim. Porque eu conheço alguém que o ama muito. E nem é pescador, ou marinheiro, ou um nascido em uma cidade litorânea. Na verdade, a sua terra nem tem mar. Mas ele traz nos olhos as vagas, e a limpidez das águas, e o fascínio, que tenho certeza, era presente nos olhos dos primeiros navegadores. E ele me diz que queria me beijar lá, no mar... E eu queria, se não fosse totalmente fora do sentido dos fatos, se não destoasse da minha vida atual, eu queria estar grávida, agora, e fico torcendo pra a minha menstruação não vir, mesmo sabendo que virá, é inevitável, que é impossível eu ter gestado, mesmo sabendo que eu nem quero ser mãe agora... seria bom se se pudesse guardar o sêmen em algum lugar dentro de nós, e na hora justa...pumba! se apertava um botão, e você gestava. E eu queria um filho dele. Que na verdade seria só meu, pois ele nem saberia. E não seria, de fato, de ninguém, pois é sabido que filho tem asas nos pés depois de um certo período. Mas o filho me lembraria o presente que a vida me deu, quando eu pensava que o trem tinha partido. Assim, eu sinto que nesse próximo ciclo, eu sinto que eu vo chorar, mesmo sendo ilógico. Mas até o chorar é diferente. Parece que eu choro sem lágrimas, porque assim que elas surgem, elas desaparecem. Talvez isso seja porque eu to feliz. Talvez seja sinônimo de controle emocional. Quem sabe? "...onde se inicia o fim do mar? Ou ainda: o que dizemos quando dizemos: mar? Dizemos o imenso monstro capaz de devorar qualquer coisa, ou a onda espumosa em torno aos pés? A água que podes ter na palma da mão ou o abismo que ninguém pode ver? Dizemos tudo em uma só palavra ou em uma só palavra tudo escondemos? Estou aqui, a um passo do mar, e nem mesmo consigo entender, ele, o mar, onde está. O mar. O mar."* Alessandro Baricco * traduzidos por mim. Então, se não é uma tradução perfeita, entendam...hehehe.
Escrito por Fê Colares às 01h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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