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"But I still haven't found what I'm looking for..."

Ainda não comecei na Nefro. Ficar em casa tá me enlouquecendo... Não vejo a hora de me ocupar e, principalmente, colocar em prática o meu plano de vida: trabalho, trabalho e trabalho.

Hoje, dirigindo pela cidade, eu fiquei me perguntando a razão das coisas serem tão injustas. É tão injusto a gente não ficar onde quer, porque simplesmente não tem como progredir em alguns aspectos. Sei que serei bem-sucedida profissionalmente. Tenho certeza disso, porque tenho condições e lutarei pra isso. Mas sei que sempre haverá um vazio. Sempre.

Ontem, no cinema, vi um filme do mesmo diretor de "O albergue espanhol" e "Bonecas Russas". Se chama "Paris", e, claro, entrou no rol dos meus preferidos, como os citados anteriormente. Boas imagens de Paris, bons diálogos, boa análise da vida. Cumpriu a sua função. Afinal, a arte também tem uma função, não?

Recebi um email fofo do Federico, ontem. Ele disse que eventualmente vem aqui e lê as blogagens, e que nesses anos ele percebeu que deixou escapar muita coisa de mim. Que tinha muitas coisas a me perguntar, apesar da gente ter se deixado de uma forma não tão boa. Não sei porquê o Federico acredita que nos deixamos mal. Eu já disse mil vezes que não, que não foi bem assim. Ele fez a escolha dele. Pronto! Festa finita. Ele disse ainda que quando um homem tem um interesse em uma mulher (sexualmente falando), às vezes deixa escapar as coisas importantes. Não importa. Não importa mais. Se ele ainda quer me conhecer, no problem. Não que eu seja uma obra de arte, ou um lugar. Mas não podemos nos fechar quando existem pessoas que valem a pena. E eu gosto muito dele. Não importa o rumo que as coisas tomaram.

Acho que também tô em TPM. É a única explicação. Tô tão irritada!

Acho que tô perdendo a fé. Em muitas coisas.

"...que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e  a boca"

Ferreira Gullar



Escrito por Fê Colares às 14h54
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"It's a new dawn. It's a new day. It's a new life for me, and..."

Os dias vão passando mansamente. Bem, não posso dizer tão mansamente, de acordo com os acontecimentos da última semana, onde uma amiga-irmã teve uma perda irreparável: a perda da mãe. Mas acho que é o efeito da voz de Nina Simone...me faz parecer que tudo vai mansamente, como o curso do Capibaribe, que ainda nao revi com atenção, ou de um gato quando se aninha nas pernas do dono. De repente, é isso: eu quero que a minha vida seja um gato que se aninha nas pernas do dono. Nas minhas pernas.

Hoje faz um mês que cheguei ao Brasil. Um mês. Parece que faz mais tempo. Ao mesmo tempo, parece que ainda estou lá, porque ainda não consegui romper o invólucro da distância em tantas relações. Tem amigos que ainda nem vi; tem outros que vi, mas apenas vi, porque seguiram adiante, e todos nós mudamos. Além do mais, as amigas, a grandíssima maioria, namorando sério, construíram uma espécie de irmandade onde estão elas e os seus respectivos amados, e acabou o mundo...hehehe.

Tem a falta do meu amado pulsando lentamente, como um prenúncio do que está por vir, da bradicardia antes da assistolia. Eu não sei se libertei o sentimento. O dele. O meu. Eu não sei. Estou bem, claro, mas não sei se libertei, se caí em mim que não tem jeito pra gente. Está consumado! Quando decidi voltar, eu sabia o que estava fazendo, e fiz bem. Eu sei.

Claro que sinto falta de Milano. Não posso nem dizer falta da Itália, mas de Milano. Claro que amo mais a Itália que o Brasil. Claro que ODEIO a má-educação da grande parte da população daqui. Eu odeio. Eu odeio ter de sair na rua com flanelinha que, veladamente, te ameaça. Eu odeio a música recém-lançada do sertanejo do momento ou da nova banda de forró me estourando os tímpanos. Claro que odeio os homens brasileiros que têm um bucho enorme, são feios, ganham pior que você, e ainda acham que te fazem um favor por te olhar. ODEIO! Tenho uma grande chance de virar, literalmente, "titia", mas me recuso a aceitar isso.

Um domingo desses fui a um bar de praia com umas amigas. Fui porque decidi não estar só em casa, não me esconder. Mas, sinceramente, à parte a conversa agradável das meninas, foi um fiasco: eu nao entendia como elas, mulheres bonitas, independentes, achavam cada criatura daquelas presentes no bar, interessantes. Uma falava: "Olha lá, aquele...que lindo! Uau...e tá olhando...". Então, todas olhavam na direção. Eu não via aquilo que elas estavam vendo. Perguntava-me se estava com uma espécie de cegueira momentânea. E isso foi por todo o tempo em que estivemos ali. Então, percebi que o problema era meu.

O problema é que agora tudo è dimensionado pra mim, eu sei. Vão me dizer isso. Pode ser. Mas não é só isso: antes de viajar, de conhecer o meu amor, eu já pensava assim.

Mais ou menos já deu pra intuir que eu voltei não por uma questão de saudade, de nacionalismo... foi uma decisao racional: aqui poderei conquistar algumas coisas que, à nível prático, ali eu não poderia. Infelizmente. E descobri que não há lugar perfeito. Não mesmo. Sabe qual é o meu problema? Meus amigos diziam que eu sou européia demais pra viver no Brasil. E eu descobri que sou brasileira demais pra viver na Europa. Então, é uma dicotomia difícil de ser resolvida...

Estou muito animada com o que quero fazer à nível profissional. Não que eu ainda tenha a idéia romântica de ir pro "Médicos Sem Fronteiras" ou fantasiosa de fazer doutorado. No way! Quero ganhar dinheiro. Isso mesmo. Acho que pela primeira vez na vida penso em trabalhar apenas com o intuito de ganhar dinheiro. Em cinco anos pós-laurea, é a primeira vez. E não vejo a hora de colocar isso em prática. Graças a Deus, vou conseguir dar o primeiro passo: terminar a residência de Nefro. Depois, quero mais. Infelizmente, não tanto dinheiro, porque nessa profissão de merda, principalmente depois do edema do mercado, com mil faculdades que se reproduzem em progressão geométrica, ninguém fica rico...hehehe. Mas sei que sou melhor do que muito profissional que tem aí no mercado, então...vamos tirar proveito disso. Vou virar workaholic e depois de uns anos...volto a viajar e usufruir dos lugares que amo.

Enquanto isso, escuto Nina Simone... And "...I'm feeling good..." Tcharam tcharam...

 



Escrito por Fê Colares às 01h33
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