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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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La bambola "Tu mi fai girar, tu mi fai girar, come fossi una bambola Poi mi butti giù, poi mi butti giù, come fossi una bambola Non ti accorgi quando piango, quando sono triste e stanca Tu pensi solo per te..." Essa canção é tão antiga... e linda, mesmo se kitsch. Mas é tão Italia. É tão Fernanda... É natal, e nao estou triste. Em pelo menos cinco anos, é a primeira vez que isso acontece. O ano passado é exceção, visto que eu estava na Italia. Mas esse ano estou bem, porque estou esperançosa. Realmente sei que Deus tem bênçãos sobre bênçãos para mim. Não entendo bem, ainda não vejo os caminhos, mas sei realmente o sentido da esperança. Acordei com uma mensagem do Paolo. E, levando-se em conta que eu havia prometido não entrar em contato com ele até que ele o fizesse, se o fizesse, isso foi muito bom. Uma mensagem curta. Seca. Respondi também assim. Seca. Isso é incomum para mim, afinal, é o meu "idílio". Ele sabe disso, ele fez por onde se trasnformar no idílio, e era feliz ao fazê-lo. E, como diz minha amiga Poli, não é isso que se leva da vida, "os idílios"? Não é o amor lindo apenas quando não se concretiza? Não é a possibilidade a despir o amor de mágica, de encanto? E eu fui sim, corajosa, ao, do alto dos meus 30 anos, me deixar levar pelas águas de um novo amor, princiaplemnete sabendo que eu viria embora, que teria um oceano entre nós. O outro ligou. E eu chorei. Ele foi importante pra mim, embora eu não o amei. E ele disse que lembrou de mim quando viu a neve, neste ano que foi/está sendo uma nevasca. Eu amo a neve. A neve me lembra as estações. Eu amo as estações. E dia após dia as estações passam, não aqui, que tem sempre este calor massacrante, mas também aqui não é o meu lugar. O meu lugar é um lugar suspenso no ar, não existe - e isso talvez seja um problema. E no meu lugar, as estações passam dia após dia, nos fazendo sentir a vida. Sim, sentir. Porque embora a vida não deva ser apenas sentir, sem concretizar as coisas, mas o grande perigo que sinto de verdade é não conseguir mais a sentir nada. E isso nos faz se trasnformar em gente. Não sei se o melhor tipo de gente - leia-se a minha impaciência com os meus pacientes ultimamente...hehehhehe. Ontem mesmo um deles, ao sair da diálise com a pressão arterial altíssima, queria ir embora e quando eu disse que não, me olhou, em desafio, e me disse: "Que influencia isso?". Sabe aquela cara de desafio? Muito calmamente, respondi: "Influencia que se o senhor infartar ou tiver um avc em qualquer outro canto, não é problema meu. Mas aqui, agora, o senhor está sob a minha responsabilidade, enquanto profissional de saúde, e eu não vou responder por isso. Então, sente-se!" Todos me olharam com uma cara, sabe? Talvez eu tenha ficado um pouco bruta, como os italianos (hehehehe), mas às vezes não dá pra fazer rodeios. Minha amiga Poli disse que os pacientes de Nefro, sabidamente difíceis, são assim para combinar com os profissionais que cuidam deles. Teimosos igualmente...hihhihi. Quanto à neve, ela me lembra todos. Me lembra a Italia. Sim, a Italia, eu a personifiquei. Embora eu não entenda bem o como ela representa o que representa pra mim, mas eu a fiz pessoa. Liguei pra Italia. Voltei da Italia. Amo a Italia. Mas, como eu dizia, ele disse que lembrou muito de mim, e podia escutar o som do meu riso, e depois se desculpou por parecer frio, mas estava distante, e queria que eu estivesse bem, e fosse feliz. Eu estou bem, e feliz, acho. Não é mais concedido a mim delegar as minhas confusões, por isso mesmo estou sendo mais prática. Mas me jogo nas coisas, independentemente do resultado, pois, do contrário, não seria eu. E embora as estações passem, fica sempre algo na estrada. E a minha vida, ninguém vai vivê-la no meu lugar. Por isso também não critico mais ninguém, e saiba que, como digo sempre, Caetano é quem tem razão quando diz que "...cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Em cada mundo há dentro um outro mundo. Em cada um há um oceano nas veias e artérias. Cada um dança com os seus demônios, ou os exorciza. Essa é a vida... Música do dia: La bambola - Patty Bravo
Escrito por Fê Colares às 16h57 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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