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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"Não, não fuja não, finja que agora eu era o seu brinquedo, eu era o seu pião, o seu bicho preferido..." Essa semana ocorreu uma coisa engraçada: eu, que sempre pensei que ninguém nesse mundo lê esse blog, descobri que ele, o Paolo, o idílio, o leu. Bem, ele me ligou - ressurgiu, nem que por um lapso do tempo - e disse, assim, meio despropositadamente: "Ah, achei aquele site em que você escreve...". Dei uma risada nervosa, principalmente quando ele complementou com: "...é, você ainda lembra muitos dos palavrões italianos...". Mas o meu nervosismo inesperado não foi por ter usado palavrões, mas por ele ter me visto tão despida. É engraçado porque eu, a partir do momento que escrevo em uma rede mundial, aparentemente livre para qualquer um, não deveria ter esse medo; está implícito que isso pode ocorrer - é como você fazer sexo e achar que nunca poderá engravidar. É contra-senso! Quem faz sexo, mesmo se usa um ou mais métodos contraceptivos, tem que atentar para a possibilidade; quem escreve um blog tem de saber que existe o risco de qualquer pessoa lê-lo, seja sua mãe, seu possível chefe ou o personagem principal de várias estórias. Daí, ri ainda mais nervosamente, e, como não podia sublimar, o proibi de ler novamente (proibição totalmente infundada, pois, possivelmente, a partir desta - se ele se comporta como a maioria das pessoas - a curiosidade aumentará e ele, então, colocará o tradutor do google como seu favorito)... Mas o proibi e ainda disse: "Olha, sei que você já deve ter lido lá sobre você..." Ele, como sempre gentil, desconversou e me jurou que não mais entrará aqui... Imagina! Mas então percebi que outras pessoas leram. No fim das contas, me deu uma sensação de nudez, um encabulamento, quem sabe igual ao que Adão e Eva sentiram ao se perceberem nus diante de Deus... Mas eu nem deveria setir isso. Primeiro porque, a nível concreto, mais nua ele já me viu... e também porque não devemos não nos envergonhar do que sentimos, do que somos, do que pensamos... talvez não seja tão inteligente se despir tanto - Janine minha amiga me disse que se é por processo terapêutico, seria melhor que eu escrevesse em um diário, colocasse um cadeado enorme e o guardasse em cima do armário....hehehehe... estórias à parte, não sei se é a atitude de "voyerismo" atual que nos faz agir assim, tão "desavergonhados", ou se é o modo de escrever com uma certa intimidade que só a distância permite. Porque é de se indagar a razão que eu não queria que ele visse... ou o motivo de colocar o endereço deste blog no meu perfil do facebook se não queria que ele, ou outrem, vissem. Mas gostei que ele me ligou. Foi legal porque eu não quis ler nas entrelinhas. Apenas nos falamos, contamos as novidades. Nos despedimos com un "...A presto!", sem dizer se nos falaremos ainda, ou não. Nem quando. Nem como. Melhor do que um "...a gente se vê", não? Ao menos assim fica a impressão de que pode ocorrer. Assim se dá ao menos a oportunidade da dúvida, do azar ou sorte...hehehehe. Tá acontecendo uma coisa legal: eu e minhas amigas, Holanda e Chele, estamos com uma idéia de um grupo de leitura... até provavelmente estaremos em um que a Saraiva tá formando. Tô super-empolgada! Cenas do próximo capítulo... "...pois você sumiu no mundo sem me avisar e agora eu era um louco a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim?"
Escrito por Fê Colares às 18h13 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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