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Blá blá blá

Emagreci. Fiquei gostosa mesmo. E acho que em quatro dias estou engordando, porque tô comendo como uma porca, e, o pior de tudo, nem é fome. Tô trabalhando como louca. Pecado que  o salário não corresponde ao nível de responsabilidade e de estresse. Mas tô aprendendo gestão. Ainda sou muito boazinha. Talvez até seja uma boa líder. Talvez precise melhorar. Talvez seja boa líder, mas seja uma chefe boazinha demais, e as pessoas confundem. Conheci, quase um ano depois do Paolo (e de adjacências) um cara, mas ele é um otário, que do alto dos seus quarenta e três anos fala e age como um adolescente. Ele tem dois filhos grandes. E mora no Rio. E se acha. E é muita quebra de paradigmas de uma só vez. E não quero isso. Ele tá beeem longe do meu molde ("nada de separado, com filhos, após os 40 e...carioca...então..."). E as minhas amigas estão casadas, e as que não estão se sentem casadas só porque estão namorando, e daí não faço parte da irmandade, e aí elas nem me vêem mais. E daí sou obrigada a fazer as coisas sozinhas, não só por prazer, como fiz a maioria das vezes, mas porque não tenho escolha. E não posso mais ir ao cinema, porque tô sempre de sobreaviso, e não posso atender o telefone no cinema. E não tenho paciência de participar de atividades com sobrinhos, porque essa não é a minha vida, não é o meu momento, o meu instinto maternal está embotado, e as pessoas não entendem, e acham que sou má. Na verdade, parece meio monstruoso, uma espécie de pecado que te levará ao fogo do inferno, e eu simplesmente não sinto. Não me sinto no momento. E me sinto julgada porque não tô na igreja. Me sinto julgada porque também sou cristã. Mas não me sinto no limbo - me senti tanto, durante tanto tempo, mas não me sinto mais. E devo pagar tanta conta. Mas tá ainda tão longe de poder morar só, de me sustentar mesmo, de ter a minha individualidade, mesmo se já tenho 31 anos. E espero o HC me chamar, mas com uma ponta de descrença, a esse ponto. E hoje os títulos me enojam. Hoje quero fazer um novo carimbo pra tirar o "doutora" antes do meu nome, porque me acho uma farsa. Não porque não seja boa - ainda me acho boa, embora com tanto a melhorar, mas porque é tudo uma farsa. E mal tenho estudado, porque trabalho muito, e o tempo em casa quero dormir. E vai ter Cramberries e Black Eyed Peas aqui em Recife e não irei. E não entendo como as pessoas podem superar as coisas tão facilmente. E me acho às vezes frágil. Mas na grande maioria das vezes me acho tão forte, tão forte mesmo... E odeio perder livros e cds, mas emprestei livros e cds e o povo não me devolve, mesmo se já pedi, e eu não aprendo nunca, e continuo emprestando mesmo assim, mas como os livros/cds são muito importanntes, compro outros iguais, mas perco a amizade porque é possível, ou melhor, é provável que eu ame mais meus livros e cds que muito amigos, e odeio quem os toma de mim, porque, não me devolvendo, me dá sensação de ser chamada de otária. E não quero morar em Mossoró, porque dentro do Brasil só me vejo morando em Recife ou, talvez, em São Paulo, mas em uma possibilidade pequena porque o ritmo de trabalho lá é de louco. Mas talvez eu precise morar em Mossoró, porque fiz um concurso e passei, e concurso é concurso. E ainda escuto jazz, sozinha, e acho que nunca vou encontrar alguém, porque teria que ser alguém que goste de jazz - não abro mão de um bom jantar escutando jazz (e quem, nesse país, que tem menos de 40, gosta de jazz? Em Pernambuco, então...). E há quem ache que Enya é boa música. E sim, posso ser, como diz minha amiga Poli, avessa a todas as minorias, mas a vida é minha e ajo como quero - só não posso afrontar ninguém, mas pensar o que quero, penso. E odeio quem tira foto no shopping - acho coisa de gentinha.  E eu não me casaria com alguém que a mãe tira foto no shopping, mas minhas amigas casam, vão dançar forró, sustentam o marido e se dizem felizes. Será possível realmente ou elas fazem tipo? E eu queria ser mais simplória. E me sinto tão outra - sou mesmo uma mulher de fases. Consigo olhar para outras partes da minha vida com um distanciamento, e não sofro. É estranho. É bom, porque não sofro, mas é estranho. E, sinceramente, não queria voltar a fase nenhuma, nenhuma mesmo, da minha vida. E talvez isso seja liberdade. É, não é ser inconseqüente, viver o Carpe Diem. Acho que liberdade é isso. É ser o que se é hoje. Mas quero que o meu ex pague, de alguma forma, pelo que me fez. Ele precisa pagar. Eu preciso acreditar que existe justiça na terra. E tô triste porque a última empregada roubou o meu gloss da MAC, que nem vende em Recife, e me custou dezenove euros, lá na Rinascente. E roubou minhas lingeries que comprei com um preço bom e que aqui no Brasil nem se pago os olhos da cara eu acho tão lindas. E o vestido jeans que me afinava a cintura. E não posso fazer nada, porque não vivo na minha casa - se eu vivesse, não precisaria de empregada e não teria passado por isso, mas não vivo. E pouco me importa quem vai ser o presidente do Brasil. Na verdade, poucas coisas me importam, a não ser o trabalho e o dinheiro que advém dele. E quero ardentemente fazer a minha tatuagem. Mesmo. E preciso voltar a comer como uma pessoa normal de dieta, amanhã. Pra continuar gostosa. E que coisa mais conta na vida a não ser o ideal que cada um tem de felicidade? Para um rato, é um pedaço de queijo (usando os clichês). Para mim, é variável. Como tudo. Até na ciência, ou melhor, ainda mais na ciência, a mudança é fato. E não sei como as pessoas se iludem com a eternidade das coisas. Que loucura!



Escrito por Fê Colares às 02h24
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