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Intermezzo | |||||||||||||||||||
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"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante..." Mais um dezembro chegou e é incrível como sempre fico melancólica nesse período. Para ser sincera, não gosto de natal, ou revéillon, ou algo do tipo. Pra ser sincera, lembro de poucos anos em que estava feliz nessa época. Mesmo quando está tudo bem, e quase sempre esteve tudo bem, eu sempre senti essa tristeza leve. Nesse ano não tenho tempo de estar triste. Trabalho tanto que não tenho tempo de estar triste. Mas é tão louco esse meu sentimento, né? Preciso de terapia pra entender. Nem sei porque isso...não lembro de nehum trauma...que louco! Mas quero falar de como estou relativizando as coisas. Nesse ano, umas das minhas melhores amigas morreu. Outra, está bem, mas foi a uma UTI na semana passada. Perdi contato com a paixão que deixei na Itália. Me decepcionei com algumas pessoas. Trabalhei muito. Muito mesmo. Conheci um homem mais velho, um garoto mais novo (bem mais novo - 23 anos), um outro no meio-termo - italiano de Milano, encntrado há 1 km de minha casa... Tenho visto olhares masculinos para mim... mas, de quê me adianta tudo isso? Tava olhando umas fotos minhas, e me vi com o Matteo. Cazzo, até o Matteo...até isso pensei em como teria sido se eu tivesse aceitado ficar lá, com ele. Claro que não me arrependo, mas não sei...não sei como seria. Eu nem era apaixonada por ele. Gostava da companhia, mas não o amava. E depois, também esses dias, tava vendo um trailler de um filme...de dois, pra ser mais específica, e lembrei dele, o idílio, o Paolo. Mas ele tá tão distante. Não só concretamente. Mas em pensamento mesmo. Quando lembro, parece que foi um sonho, que não aconteceu, eu sonhei alguma noite. Só espero que esteja bem. A última vez que trocamos sms, ele disse que tava contente porque eu tava feliz. E que ele ainda não estava. O que eu poderia responder? Não respondi. Não poderia. Não teria o que dizer. Assim, as palavras se perderam... O problema é que virei cínica. O problema é que me tornei aquilo que criticava. Agora, o que quero é trabalhar. Afetivamente, quero um relacionamento fast-food, e basta. É mais fácil. E mais seguro. Pode até ser menos belo, ou até ser desprovido de beleza. O importante, contudo, é servir ao que quero. Horrível de dizer, mas é o meu momento. Não quero mais ser a garotinha, a mulherzinha. Agora sou mulher. Ponto. Escrito por Fê Colares às 00h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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