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"No alarms and no surprises"

É noite. Cai a chuva em Recife, enaltecendo todas as incongruências de uma cidade que amo, mas que, como só ela, sabe ser incongruente quando cai a chuva. Enquanto cai a chuva, escuto Radiohead, e o tom melancólico dilui os sentimentos das últimas semanas, e me dá uma paz que não sei explicar. Talvez porque é um raro momento em que estou sozinha. O estado de solitude, ao contrário do que ocorre com a maioria das pessoas, não me assusta. É um momento onde posso realmente me achar.
Enquanto passa o tempo, recordo os últimos acontecimentos. Nada de muito sério, ou muito motivador (acho que seria desmotivador), ou muito bom... Mas, em pouco mais de três semanas, conheci pessoas, desconheci outras, reencontrei alguém, me dei conta de que perdi várias. Em poucas semanas, passei por uma espécie de entorpercimento, e repentinamente voltei a ficar sóbria. Tive problemas no trabalho, me senti injustiçada, duvidei do que queria, me senti impotente, sem lugar, me confraternizei com amigas preciosas, voltei a me sentir mulher, me vi bonita de novo, reconheci o meu valor, aceitei minha idade, minha celulite, meus defeitos, os meus fracassos não como fracassos, e sim como degraus para chegar a um lugar que mereço, e que está lá, esperando por mim, esperando apenas que eu esteja pronta para recebê-lo como meu.
Em pouco tempo, os sentimentos se transmutaram, e continuam a fazê-lo. Mas não sinto dor, ou falta. Nada. Aceitei até o fato de algumas das minhas amigas que estão namorando se comportarem como casadas, daquelas que não "precisam" de amizades após o casamento. Fazer o quê? Como diria Caetano, "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
Aceitei o passo das coisas, o peso dos anos, o êfemero da vida, o eterno no pouco que deve ser eterno.
E isso é que faz a existência ser válida.

"... No alarms and no surprises
No alarms and no surprises
No alarms and no surprises, please

Such a pretty house, such a pretty garden

No alarms and no surprises..."

Radiohead




Escrito por Fê Colares às 21h20
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"Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos."

Clarice Lispector

Escrito por Fê Colares às 18h08
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"Cada um vai com quantas patas lhe convém"

Algumas coisas ocorridas nas duas últimas semanas me fizeram pensar nesta frase. Às vezes, temos uma atitude com as pessoas e nem sempre a recíproca é verdadeira. Daí, vem a decepção. E ninguém está livre de decepcionar ou de ser decepcionado.

Entretanto, é importante nos dar conta de que não é porque convivemos com as pessoas que elas têm de ser nossos pares. O que dizer quando acontece de ter mais afinidade com um amigo do que um irmão? A Bíblia mesmo reafirma esta possibilidade. Mas, é sabedoria saber quem é teu par, e quem não é.

Tive sorte. Ou melhor, Deus me abençôou. Posso dizer que tenho amigos. Algumas vezes, pessoas que jamais imaginei, me ajudaram. Outras, que tinha por certas, me decepcionaram (vide meu ex-noivo, que mais do que meu noivo, era meu melhor amigo). E existem aqueles que jamais alcançarão este posto. Estão ali nas contingências da vida. Apenas estão.

Não sou uma espécie de embaixatriz da Estética. Até porque, se é a Estética como ramo da filosofia - não estou me dedicando a esta; se é a estética como vulgarmente é conhecida... ainda não me considero um ícone (hehehe). Portanto, por que vestir esse personagem?? Cada pessoa é livre para pensar como quer, para viver como quer, para amar quem quer, para fazer o que quer. Claro que a burrice incomoda! Sempre disse que o meu maior afrodisíaco é a inteligência. Por exemplo: os meus ex-namorados, poucos eram belos - esteticamente falando; mas, nenhum, absolutamente nenhum, era contrário àquilo que considero inteligência. Todavia, eu sou eu. E não sou o centro do universo - graças a Deus!!!

Assim, tenho me deparado com as coisas. E sei que Deus permite essas coisas para o engrandecimento pessoal. Ele está amaciando o barro. E como dói ser amaciada. Ainda bem que, enquanto amacia, ele me dá verdadeiras bênçãos na vida (vide Humberto, meu querido amigo...).

No mais, vou vivendo, dia após dia, e pedindo a Deus a sabedoria para vivê-los bem. Muito bem.

"Não importa quantas patas você tem, se você sempre pode ir além

Duas, quatro, seis, oito, zero ou cem

Cada um vai com quantas patas lhe convém.

Pode ir pulando como um sapo, ou deslizando como um trem

De carona vai o carrapato, de gatinho vai o neném.

O vento leva o pólen, a vida traz o porém

Todo mundo vai, todo mundo vem

Com as patinhas e as idéias que tem!"

Música cantada por Vander Lee (desconheço a autoria).

 

 

 

 



Escrito por Fê Colares às 14h52
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Da (in)fidelidade

"...Vivo o momento em que as sombras já esclarecem, e que as ausências são lindas expressões de perenidade e criação. Sombras e ausências podem ser tudo, ao passo que luzes e presenças confundem os mais precipitados, os mais jovens.

[...]

Há mulheres que não se colocam, embora estejam; que não se situam, embora componham o cenário da situação presumível.

[...]

Quem entende ou, pelo menos luta para compreender as variações do outro, o ama realmente. E nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou. Não nos enganamos, nos confundimos quando nos perdemos da identidade vital do parceiro, familiar ou irmão... Quem não conhece, não tem enganos. Nas variações do outro, não cabe o apaziguador, que destrói tudo antes do tempo em forma de tranqüilidade. Uma relação a dois não deve ser apaziguada, mas vibrante, apaixonada, e não enfastiada.

[...]

Achar que somos feitos para um único e fiel amor é hipocrisia, conformismo. É preciso admitir docemente que um ser humano é capaz de amar apaixonadamente alguém e depois, com o passar dos anos, amar de forma diferente. Não somos o centro amorável do mundo do outro. É preciso aceitar, também, outros amores que passam a fazer parte desse amor, como mais uma gota d'água que se incorpora ao nosso lago. Simone de Beauvoir dizia bem, que temos 'amores necessários e amores contingentes ao longo da vida'.

[...]

É preciso viver sem mesquinhez, sem um sentido pequeno, lamacento, comum aos moralistas, aos caluniadores e aos paranóicos azedos que teimam em sujar tudo.

Espero que as pessoas sejam generosas e amplas para compreender e amar seus parceiros em suas dúvidas, fragilidades, divisões e pequenas paixões. Isso é amar por inteiro e ter confiança em si mesmo!"

Trechos da carta de Danielle Mitterand, esposa do ex-presidente francês François Miterrand, ao povo francês, após ser criticada por admitir a presença da amante e da filha bastarda no funeral do esposo.

Rapaz, essa mulher é, no mínimo, corajosa!!! Admitir publicamente que foi traída, e ainda aceitar languidamente... é ato de desmedida coragem!

Todos dizemos que jamais aceitaríamos uma traição. Na hora em que acontece, será que não aceitaríamos mesmo? Claro que, na teoria, para a maioria é uma atitude inadmissível. Mas, na prática, o que fazer quando somos traídos, ou quando estamos no lado oposto???
Certamente existem vários tipos de traições. Pode-se trair um amigo, um parente, a sua consciência... Mas, aqui, estou falando daquela traição mais comentada, aquela de um relacionamento de cunho erótico-emocional.
Será que, como cantava Raul Seixas, "...amor só dura em liberdade, o ciúme é só vaidade..."? Será que "...um amor a dois profana o amor de todos os mortais"?
Não, não sei. Na verdade, sou adepta da monogamia. Até por uma questão de praticidade. Imaginem: se uma relação só já dá trabalho, precisa de investimento (de tempo, de afeto, etc.), imagine mais de uma??? E o desgaste emocional que deve ser esconder a todo momento uma relação da outra? Não!!! Not for me!!!
Mas não vamos ser hipócritas e fazer de conta que "o mundo é perfeito e todas as pessoas são felizes". Tem um filme que gosto muito, um blockbuster, chamado "Closer", porque retrata bem isso: o quanto pessoas normais podem sim ter diferentes afinidades. E elas bem que não se podam muito nesse sentido.
Claro que a fidelidade depende de escolhas, e não apenas de sentimentos. Como diria uma personagem deste filme, quando descobre que foi traída: "Oh, como se você não tivesse escolha? Existe um momento, existe sempre um momento: 'Eu posso fazer isso, eu posso me render a isso, ou eu posso resistir'.Eu não sei quando foi o seu momento, mas eu aposto que houve um". It's true!!!
Eu prefiro ainda estar no meu pensamento romântico. Não tão romântico como antes, onde acreditava piamente naquela estória de "amor único". Acredito em muitos "amores únicos". Como diria ainda Raul Seixas: "...Hoje eu sei que ninguém nesse mundo é feliz tendo amado uma vez!"
Beijos.




Escrito por Fê Colares às 11h51
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"Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório."


Carlos Pena Filho

Sem mais para o momento. Tô meio down hoje.





Escrito por Fê Colares às 10h00
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Há mentira na aparência do que eu sou, e há mentira na aparência do que você é???

" Vou te contar que você não me conhece

E eu tenho que gritar isso,
Porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você.
Ao fim de tudo, você permanece comigo,
Mas preso ao que eu criei e não a mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira,
Um abismo maior nos separa.

Você não tem um nome; eu tenho.
Você é rosto na multidão,
E eu sou o centro das atenções.
Mas há mentira na aparência do que eu sou,
E há mentira na aparência do que você é,
Porque eu não sou o meu nome,
E você não é ninguém.

O jogo perigoso que eu pratico aqui
Busca chegar no limite possível de aproximação,
Através da aceitação da distância
Ou do reconhecimento dela.

Entre eu e você
Existe a notícia que nos separa.

Eu quero que você veja a mim,
Eu me dispo da notícia.
E a minha nudez parada
Me denuncia e te espelha.

Eu me dilato,
Tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós.
Assim me livro das palavras
Com a as quais você me veste."

Fauzi Arap

A mentira existe desde o "início dos tempos" - a Bíblia está aí para confirmar. Nos preceitos cristãos, a mentira é inadmissível: é coisa do Maligno (isso é fato indiscutível!).
Nos preceitos morais, a mentira também é vilã. É claro que nesta onda de inversão de valores, isto também é uma coisa negociável.

Mas, todos nós, em algum momento, não mentimos???

Eu hoje me deparei com isso porque me peguei mentindo. E uma coisa boba: minha idade. Gente, eu estou perpetuando ações antes abomináveis - eu jamais me imaginaria, há alguns anos, mentindo a idade. Pois bem, há alguns dias um amigo me disse: "...você tem... 28 anos?". E eu: "É, 28". Pronto. Só isso. Mas é mentira! Eu tenho 29 anos (pronto! Admiti para o mundo!). E por que cazzo eu menti??? Não tem explicação plausível!!! Eu não tava fazendo um concurso com idade máxima de 28, não era uma entrevista para preencher o anúncio "procura-se esposa com até 28 anos". Por que cazzo eu menti??? Como é que um ano de diferença faria diferença em uma relação de amizade, ou em relação alguma? Seria a tentativa de perpetuar a juventude, há tanto valorizada, e, nos dias atuais, superdimensionada - juntamente com todos os outros atributos superficiais?

Não acredito!!! Eu, que quero ser tão "politicamente correta", que não jogo lixo fora do lixo, que apregôo aos quatro cantos do mundo a necessidade de não se deixar corromper pelo sistema atual... eu sou tão e miseravelmente igual.

Mas alguém pode me dizer: "Pôxa, mas você só 'maquiou' a idade. É tão grave?". É, é grave sim, pois não existem mentiras maiores e mentiras menores. Como diz o ditado, "quem é fiel no pouco, é fiel no muito". Menti sem nem mesmo uma razão lógica. E se eu tivesse uma razão lógica, não mentiria sobre algo mais grave? Cadê a minha formação familiar? Cadê a virtude pessoal? Como diria Álvaro de Campos, "...deitei fora pelas janelas...".

Ao mesmo tempo, eu me pergunto: não somos todos atores, de alguma forma, na vida??? A vida não funcionaria, algumas vezes, como um grande teatro? Não tô falando aqui que é permitido - há de se ter cuidado para não se transformar em um mentiroso contumaz -, mas, sobre que coisas não mentimos, mas deixamos que as pessoas concluam por si mesmas, e não intervimos nas conclusões? Até onde somos responsáveis pela idéia que fazem de nós???

Hoje eu tenho mais perguntas do que respostas. Não que isto seja motivo para as mais altas "crises de consciência" (hehehehe), mas que é motivo para se pensar... ah, isto é!

E, amigo. Não menti sobre mais nada. Ao menos, por enquanto - quem me garante que não o farei novamente?

Perdoada???

Beijos a todos. Especialmente àqueles a quem deturpei a idade.




Escrito por Fê Colares às 11h53
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"Fernanda, sossegue!..."

"... o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão..."

Drummond de Andrade

 

Eu tava hoje com vontade de chocar ou, ao menos, provocar uma reação diferente. Daí, postei umas fotos no orkut meio libidinosas, coisa que não é do meu feitio...hehehe!!! Pois é, pois não é que deu deu muito o que falar??? Então, e abaixo das fotos, eu pus um pedacinho só deste poema...

Ah, o poema... ah, Drummond... como será que ele tava se sentindo, o que é que ele tava pensando quando escreveu este clássico??? Sim, porque pode até nem ser a poesia mais "clássica" dele, mas que é bem a realidade... ah, isso é!!!

Cada dia mais eu me convenço de que não existe "a pessoa" da tua vida, mas, "as pessoas" ("... há tantas pessoas especiais" - grande Vanessa da Mata!!!). E isso, claro, vai depender de como está a tua vida, isto é, as pessoas se adequam ao teu momento de vida. Assim, em um momento aquele determinado ser jamais poderia estar lá, e em outro... é o adequado. Claro que, isto, depende de afinidades. Ou, como canta  "O teatro Mágico" ("... os opostos se distraem, os dispostos se atraem..."), depende apenas da disponibilidade?

Bem, no momento estou acreditando em algo que achava bonito, mas apenas poético. É naquela frase final do Soneto de Fidelidade (que, na verdade, já virou clichê), "... que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure." Uffa!!! As relações interpessoais, todas elas, têm o seu prazo de validade. Bem, não necessariamente vão acabar, totalmente, mas vão se transformar, o que não deixa de ser uma forma de acabar, né??? E isso não é ruim. Como a natureza nos ensina, é preciso abandonar determinadas situações para abraçarmos outras. É a vida, baby!!! 

Então, por que é que temos a tendência de ver essas situações como ruins depois que acabam??? Não é porque acabou que temos de tirar o mérito. Foi bom, povo, muito bom. Acabou porque era pra acabar mesmo. A monogamia, por exemplo, é completamente possível (e desejável, para mim), mas nada te diz que deve haver apenas uma relação monogâmica. Nesse mundo de meu Deus, tão grande, por que deveria haver apenas uma?? Por que é que depois que acaba, temos a idéia equivocada de dizer: "ah, fulaninho não me amou...". Besteira!!! Nada de cantar "Ciranda, cirandinha"... Fulaninho amou sim, mas Fulaninho mudou, você mudou, o mundo mudou, a economia mudou, o Congresso Nacional mudou... por que é que a relação teria de permanecer a mesma? É claro que também não vou agora basear meu relacionamento na oscilação do barril do petróleo - se bem que, em determinadas situações, até que dá pra se embasar neste parâmetro (o que dizer dos amores distantes? hehehehe). Mas, nada como "... vivê-lo a cada vão momento". Eh, Vinícius!!!

"O Anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou..."

 


 



Escrito por Fê Colares às 23h23
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Feliz Dia dos Namorados para mim!!!

Há alguns dias atrás eu até tava lembrando do "dia dos namorados". Mas, acredita que hoje eu esqueci??? Vai ver é um recalque. Mas, a verdade é que esqueci mesmo, até abrir agora o google e ver a imagem de um casal de velhinhos... que lindo!!!
Daí, me dei conta de que preciso comemorar! Sério! Pode parecer loucura, pois não estou namorando. Mas...êpa! Quem disse que eu não estou namorando? Bem, se não é mesmo um namoro, é, ao menos, uma relação incestuosa (kkkk!!). Eu estou me namorando! Pasmem! Mas há alguns meses eu tenho tido uma relação amorosa e, muitas vezes, violenta comigo mesma. Após um loooooongo período de prostração psicológica (hehehe), tenho me percebido mais: o que quero, o que gosto, o que abomino... Nem sempre, como eu disse, é uma relação harmoniosa, pois várias vezes tenho ímpetos de fúria com meu modo de agir, com os sentimentos que vejo aflorar. Outras vezes, é como se eu estivesse em uma contemplação narcisística. Nesse dias, ninguém segura meu ego (kkkkkk!)! Assim, vou nesse bumerangue, dias e dias, e não sei bem onde vai dar.
Além desta declaração que faço a mim (Calma, não me matem! Não sou a primeira a ter estas idéias - talvez uma das poucas a admitir em público...kkkk). Bem, mas além de dizer que me amo muito, e que, embora alguns dias as minhas atitudes deixem em dúvida a veracidade desse amor, eu quero me deixar um poema em forma de canção, do bom e saudoso Gonzaguinha:

"Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo, presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto, flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia, toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida..."

Bom dia dos namorados a todos.
Beijos românticos...

Escrito por Fê Colares às 21h09
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Sex and the city

Juro que esta é a última blogagem do dia...hehehe. Passo dias sem escrever e, de repente, escrevo três vezes em um dia só. Dá pra entender?
Acabo de chegar do cinema. Fui ver "as meninas". Gente, não pude deixar de rir muito, mas também de me emocionar, no filme. Algumas vezes, não vou mentir, tive vontade de chorar, principalmente em algumas partes de Carrie, onde parecia as coisas que eu vivi ou tô vivendo. Eu amo a série. Sou tão todas...hehehe...umas mais do que as outras, claro!
Bem, aqui não vou contar o filme, coisa e tal... mas queria deixar documentado isto. Só isto. Que amo. E que o filme me fez ter um ótimo fim-de-tarde. Até porque fiz um programa que amo, em uma companhia agradabilíssima: a minha. Amo ir só ao cinema. Eu sei, parece loucura! Mas amo mesmo...
Beijos.

Escrito por Fê Colares às 22h44
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"... Olhos fechados..."

Disseram-me ontem que tenho "olhos sinceros". Como já escreveu alguém, "olhos sinceros de quem está sozinha no mundo"(hehehe). Outro dia, eram "olhos doces". Não entendo essa predileção pelos meus olhos - definitivamente eles estão fora dos padrões mais altos de beleza a que recorremos freqüentemente, embora me agradem. Talvez isto se deva ao fato de que as pessoas não dirão: "Que linda essa tua gordura...essa, bem aqui no abdome"...kkkk... Então, os olhos seriam um subterfúgio...
Bem, mas isto não é motivo para preocupação. Os olhos são sempre alardeados como tarnsmissores do que se passa no interior de uma pessoa. Mas será mesmo?
Eu não me acho doce. Meiga. Sinceramente, nenhum desses adjetivos eu vejo como meus. Assim, essa estória de "olhos doces"... estaria invalidando a teoria dos poetas aí.
Mas gosto muito de um poema de Vinícius de Morais, o "Poema dos olhos da amada":

"Oh, minha amada
Que os olhos teus

São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus

Oh, minha amada
Que olhos os teus

Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus

Ah, minha amada
De olhos ateus

Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus"

Ou, como escreveu uma amiga minha, nos idos tempos de colégio, quando ela escrevia poesias e, não sei a razão, há um tempo não o faz mais, com a desculpa de que não é poesia (por que é que os poetas sempre acham que não escrevem poesias?). Ah, mas, segundo ela, existem os "olhos oníricos", os "olhos alcoólicos". Para ser mais precisa, "sorver teus olhos é estar perenemente entorpecida...".
Mas talvez eles todos tenham razão. Eu mesmo já vi alguns "olhos de pupilas líquidas". Mas há tanto tempo. Não sei bem onde. Não sei se foram de verdade ou foi sonho. Os sonhos transpassados nos olhos.

Escrito por Fê Colares às 10h39
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Encontro com os meninos

Acabo de chegar. Fomos a um bar na Galeria Joana D'Arc (quem é de Recife sabe a fama - embora definitivamente não "fazemos jus"...hehehe). Bem, lá tinha um povo tocando blues e jazz. Gente, que música boa! Estávamos eu, Poli, o noivo, Fabiana e Holanda... O engraçado foi "o rumo da prosa". Meninos, eu ri de me contorcer, lembrando as coisas toscas da época da adolescência...
Poli lembrou de nossas idéias platônicas com uns pirralhos do cursinho. O engraçado é que nem sabíamos o nome dos meninos, e aí, inventávamos! Era um tal de "Olho de boneca" pra cá, "Au au" pra acolá, "Miau"... Vixe! O mais divertido era a "originalidade" dos nomes...kkkk. Podre!
Mas, aí, cada um contava uma estória mais divertida que a outra. E surgiram estórias várias, que animaram a noite inteira.
Pra completar, um carinha chegou perto de mim. Pasmem! Eu, em um reduto com histórico homo, conversando, rindo, tomando chá de camomila, e um carinha vem devagar... Fiquei meio "destreinada", juro! Primeiro, porque não esperava. Segundo, o cara é "metido a artista" (aff, que língua! - não, ele toca bem, tô sendo chata!). Terceiro, tô "fechada pra balanço". Quarto, não faz meu estilo essas coisas superficiais; assim, sem conhecer... Enfim, conversei um pouco, aos olhos curiosos dos meus amigos, e depois... vim pra casa. Mas, valeu pela boa música e pela conversa com os meninos.
Agora, tô cansada, mas alegre. São os teus amigos, os teus verdadeiros amigos, que te espelham como és. Por exemplo, os meninos me mostraram alguns aspectos meus, em brincadeira, que reafirmaram como me vejo. Até Pércia foi citada... Ela sempre dizia: "Fernanda é tão intensa, né?" E as meninas: "Intensa como?". Ela, então, respondia:" Exagerada, Fabiana, exagerada!" kkkkkkkkkk... It's me!
Vou dormir. Mais tarde, s etenho novidades, ou mesmo vontade, escrevo mais.
Abraços.

Escrito por Fê Colares às 02h09
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Twenty-one things that I want in a lover



"Você fica alegre quando outra pessoa é bem sucedida?
Você não joga sujo quando se está numa competição?
Você tem uma grande capacidade intelectual,
mas sabe que sozinha ela não significa sabedoria?
Você vê tudo como uma ilusão?
Mas aproveita mesmo você nao sendo disso
Você é, ao mesmo tempo, masculino e feminino?
Politicamente consciente? E não acredita em pena de morte?

Estas são as 21 coisas que eu quero em um amante
Não necessariamente exigências, mas qualidades que eu prefiro

Você fica alegre por se entregar
e perceber que amar alguém pode, na verdade, ser como ter liberdade?
Você é engraçado? A la auto-depreciativo?
Gosta de aventura? E tem muitas opiniões formadas?

Estas são as 21 coisas que eu quero em um amante
Não são necessariamente exigências mas qualidades que eu prefiro
Eu imagino que eu possa descrevê-las, já que tenho escolha no assunto
Estas são as 21 coisas que eu escolho escolher em um amante

Eu não estou com pressa, eu poderia esperar para sempre
Eu não estou com pressa porque gosto de estar sozinha
Não há preocupações e certamente não há pressão
Enquanto isso, viverei como se não houvesse amanhã

Você é desinibido na cama? Mais de três vezes por semana?
Aberto a experimentar coisas novas? Você é atlético?
Você está num trabalho que ajuda seu irmão? Não é viciado?

...você é curioso e comunicativo?"

Essa é a tradução de uma música de Alanis Morissette que gosto muito...
Agora vou sair com minhas amigas Poli, Holanda e Fá, para mais um daqueles "encontros filosóficos"...hehehehe!
Amanhã conto os detalhes...
Beijim...

Escrito por Fê Colares às 21h08
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Oração...

"Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher!
(...)
Proteja meus cabelos do vento e os brincos e anéis dos olhares invejosos.
Nunca deixe faltar na minha vida comédias românticas e boas depiladoras.
Se eu tiver vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio. E que tenha saído de casa sem pintar o olho.
Para cada dia triste, me dê uma vitrine com sapatos lindos.
Já que eu nunca pedi milagres, faça com que minha celulite seja ao menos discretinha.
Dê-me saúde, tempo livre, e silêncio...
Nos engarrafamentos, faça com que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida.
Dê-me forças para comer saladas e frutas.
(...)
Ajude-me para que eu chegue do trabalho inteira.
Em dias difíceis, dê-me persistência para seguir na dieta.
Dê também firmeza para os seios...
Proteja minhas poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde na hora.
(...)
Faça com que o sol seja meu personal trainer, meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria...
Mas quando eu pedir um diazinho de chuva, não pergunte a razão.
Para cada "batata quente" no trabalho, me dê um café recém-passado.
Entenda que, quando rezo para cancelarem uma reunião, não é gastar reza à toa, pode ter certeza!
No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo, ir ao cinema, jantar fora, dormir abraçadinha...
Ilumine o espelho do banheiro e proteja meus cremes e segredos...
Ajude a não faltar gasolina, a não furar o pneu e, por favor, afaste os motoqueiros do meu retrovisor!
Senhor, por pior que seja o meu dia, faça com que ele termine...
... E não eu!
Amém."

Achei essa oração em uma comunidade da qual faço parte... Não sei de quem é a autoria e, embora ela esteja permeada de clichês, é um olhar bem-humorado para a condição de ser mulher. É claro que ser mulher ultrapassa essas afirmações, mas por que não rir um pouco dos nossos infortúnios e dificuldades? (hehehe!).
Ah, se eu pudesse sempre me valer do bom-humor para as agruras diárias!
Tenho algumas coisas que gostaria de comentar, mas é já tarde e amanhã trabalho (de novo!) na diálise.
Nos falamos depois.
Beijos a todos...

Escrito por Fê Colares às 23h13
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A palavra que me define. E ela define mesmo?

Devemos nos deixar sucumbir ao que queremos? E o que queremos, em determinado momento, é o que nos define?


Por exemplo, se uso uma idéia expressa em um livro bem falado agora, "Comer, rezar, amar", onde a autora, parafraseando um amigo, fala que "toda cidade tem uma palavra [e nós, como as cidades, também temos]", que palavra sou eu, então? Prazer? Não! (embora tenho ardentemente tentado ao menos descobrir o que me proporciona isto). No último ano, apesar de todo o processo que passei, e talvez por isto mesmo, tenho me dado doses suficientes de ócio. "Ócio? Mas você não estava na residência? E agora não está tentando conciliar o emprego, um curso que tanto quer, e o fim da residência, mesmo que a contragosto?"... Então, mas eu me dou ao luxo de simplesmente não fazer o que quero, no dia que quero. Claro que nem sempre, claro que não em tudo, e claro também que esta talvez não seja uma atitude inteligente. Mais uma vez, como já falei aqui anteriormente, eu deveria ser mais prática. Mas me permito fazer isto. Talvez até devesse ser menos permissiva comigo mesma. Tenho me visto em uma atitude não-permissiva com as pessoas (por incrível que pareça, provavelmente este é o meu maior momento de impaciência com outrem), mas muito persuasiva em relação a mim mesma. Todavia, apesar desta permissividade, não tenho vivido de forma a cultuar o prazer, em suas diferentes nuances, e, por isto mesmo, esta não é a minha palavra. Ao menos, nesse momento.

Então, qual seria a minha palavra? Talvez "Irritabilidade"? Ou "Egocentrismo"? Possivelmente "Instabilidade"... Boh! Não me convém adesso... Mas, e essa palavra realmente me definiria, em todas as minhas idiossincrasias imanentes a uma representante da espécie humana? Lá vamos nós de novo com essa necessidade de ter de rotular as coisas e/ou as pessoas, né?

Essa idéia de precisar estar em determinando grupo... essa idéia antiga, inculcada em nosso cérebro por questões antropológicas, dentre outras, talvez seja este um problema. Ou "O problema". As pessoas, por medo de serem expostas, apontadas, rotuladas, ficam fazendo jogo do "mané sem braço", se diluindo entre um e outro grupo social no qual somos obrigadas a conviver ao longo da vida. Nada contra isso, a priori, porque também participo de diferentes grupos sociais e é necessária uma adequação. O que não faço, embora devesse, é ir me diluindo nesses grupos, ir me metamorfoseando, de acordo com as necessidades "do mercado" de amigos, do trabalho, da igreja, "mercado familiar", entre outros. Eu até entendo as pessoas: é difícil ser vista como "diferente"... E olhem, nem sou, aparentemente, diferente; não estou naqueles grupos rotineiramente apontados ("nova era", "hippie", "patricinha", "roqueira", etc.). Mas, talvez por isto mesmo, não estou em um grupo nenhum. Talvez esteja, em uma visão superficial, no grupo das "residentes ou ex-residentes", ou "enfermeiras de Surubim", ou sei lá o quê... Mas não me sinto não!

Tô lembrando, falando assim, do dia em que, na terapia, falei para Dr. Ari (ai que saudade de Dr. Ari e de Verinha... ai ai ai... nessa hora dá vontade de voltar à terapia)... sim, falei pra Dr. Ari como me sentia, naquele momento, e, para descrevê-lo, eu usei uma frase de Tabacaria: "Dr. Ari, eu me sinto, como diria Álvaro de Campos, 'como se não tivesse irmandade com as coisas'". Ele me olha com uma cara atônita, aquela cara que os psiquiatras devem fazer quando suspeitam de uma tragédia iminente, e me disse, pausademente: "O que você quer dizer com isso?" hehehehe... Não posso conter o riso ao lembrar, porque é engraçado que é assim mesmo como me sinto, mas não estou na linha tênue enntre a lucidez e a insanidade não! É que é isto mesmo. Esse sentimento de pertencimento não está em mim há já um bocado de tempo, o que é bom, pois endossa a minha independência, e é ruim também, porque me deixa com a sensação de não ser compreendida... Vixe! Nem mesmo sei como comecei a escrever isto, e deve ser um saco pra quem lê. Mas, este blog, o primeiro papel dele, e primordial, é que eu fale o que quero, como quero e na ordem que quero (este último ponto nem sempre seguido à risca). Portanto, sou livre para dizer bobagens ou não! E também não posso estigmatizar o que falo "bobagens" - se fossem bobagens eu não estaria escrevendo...

Mas é difícil ser o que se quer ser... Dá trabalho! Você aposta muito! E assusta. Tô lembrando do que um amigo me disse, há não muito tempo atrás: "Mulher inteligente dá trabalho!". Não estou aqui querendo me autoproclamar inteligente, embora também não vou me valer de falsa modéstia e dizer que não me acho, etc... Mas, de repente, é isso mesmo, amigo! De repente, você tem razão, porque se pensamos, questionamos; se questionamos, somos inoportunos - ao menos eventualmente; se somos inoportunos, incomodados; se incomodamos, é melhor que estejamos distantes. Então, em uma seqüência lógica, "os anencéfalos conquistarão o mundo!"

Beijinhos a todos...


Escrito por Fê Colares às 16h45
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A frase "Tutto il mondo é paese" ("Todo o mundo é um país") é um ditado italiano, pra explicar as afinidades das pessoas, independentemente do local de onde são, onde estão. Entretanto, muitas pessoas preferem colocá-la ao contrário, "Ogni paese è il mondo" ("Cada país é o mundo"), o que seria praticamente a mesma coisa, mas com uma certa particularidade...
Isto porque o engrandecimento, a visão para o diferente, começa por si mesmo, na medida que você se permite conviver realmente com o outro, com o diferente. Não é uma coisa fácil, mas é enriquecedora.
Lembrei agora de um filme estupendo:

"... Eu era um estrangeiro entre estrangeiros. Por que estava lá? Eu não sabia. Nunca soube porque estava onde estava. Deve ser típico.

(...)

Eu sou todos eles.
Não sou uma. Mas muitas. Sou tudo. Sou uma bagunça..."

O Albergue Espanhol

Quem me conhece sabe que o filme acima, de onde extirpei esta frase, se tornou um dos meus preferidos, bem como a sua continuação, o também maravilhoso, "Bonecas Russas". Mas, o que isto tem a ver com viver com o título desta postagem?
Bem, quem viu o filme sabe que fala da convivência entre estudantes de várias nacionalidades, em Barcelona. Eu não vivo em Barcelona, é em Surubim mesmo, há apenas 130 km de Recife, mas vivo com pessoas que, embora sendo do mesmo país, são tão diferentes de mim, em tantos aspectos, e, ao mesmo tempo, são tão iguais...
Essa semana um amigo meu - que, por sinal, conheci graças a este blog... Pois bem! Esse meu amigo me questionou como seria viver em uma casa com mais sete mulheres. Eu, respondi que era normal. E, realmente, é normal. Talvez porque eu já tenha tido essa experiência, por um ano, há alguns anos atrás; talvez porque eu sei que possivelmente vou viver isto por ainda um tempo (não necessariamente na mesma conjuntura, mas sei que viverei!). Bem, talvez por isto tudo eu consiga ter uma relação harmoniosa com esta experiência. E, certamente, por isto mesmo, "O Albergue Espanhol" é, sem titubear, um dos melhores filmes da minha vida. Por sinal, passei na casa para duas das minha colegas verem e elas ODIARAM. Só aí já vemos a diferenciação de gostos... E isso é importante para o engrandecimento como pessoa.
É importante para mim, para que eu saiba respeitar os pontos de vista diversos... É assim que exercitamos a tolerância. É assim que deixamos de fazer acepção de pessoas. É assim que mesmo torcendo o nariz para determinadas coisas, aprendemos a abstraí-las...
Não estou aqui para pontuar pontos legais e pontos negativos sobre a vivência em uma "república". Cada experiência é única e não me valerei de tirania, falando da minha realidade de acordo com meu ponto de vista. Quero apenas dizer que, se possível, vivam isto! Se puderem ir a Barcelona, a Roma, a Londres, a qualquer cidade cosmopolita e conhecer culturas diferentes, melhor! Mas, se não puderem, vivenciem isto aqui, na sua cidade, buscando diversificação nas relações, procurando conversar com o outro - talvez até aquele outro já conhecido, mas que mudou... Aí sim você se aperceberá que, como diria Cristóvão Colombo, ""omnia munda mundis", ou seja, "Tutto è mondo per chi è mondo" ("Tudo é mundo para quem é mundo").
Buona notte a tutti!!!





Escrito por Fê Colares às 22h07
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